‘Não posso tomar providência sobre tudo que chega a mim’, diz Bolsonaro sobre irmãos Miranda

Em agenda no Rio Grande do Sul, presidente mais uma vez atacou cúpula da CPI da Covid-19 e o ministro Luís Roberto Barroso

  • Por Jovem Pan
  • 10/07/2021 14h50 - Atualizado em 10/07/2021 16h11
OMAR DE OLIVEIRA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOBolsonaro participou de 'motociata' no Rio Grande do Sul neste sábado

Respondendo a um questionamento sobre o encontro com os irmãos Luis Ricardo Miranda, chefe de Importação do Ministério da Saúde, e o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), para tratar sobre as irregularidades na compra da vacina Covaxin, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não pode tomar providências sobre todas as informações que chegam até ele. Em agenda no Rio Grande do Sul, o chefe do Executivo federal também atacou os membros da cúpula da CPI da Covid-19, a quem chamou de “bandidos”, comentou a mais recente pesquisa Datafolha que indica uma vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e atacou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e é contra a alteração do sistema eleitoral brasileiro – o chamado “voto impresso auditável” é uma das principais bandeiras de Bolsonaro.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, Bolsonaro deu uma declaração contraditória sobre o encontro com os irmãos Miranda. Em um primeiro momento, disse que não se reuniu com o deputado e com o servidor do Ministério da Saúde. Depois, afirmou que o parlamentar pediu uma audiência “para conversar sobre vários assuntos”. “Eu não me reuni. Ele (Luis Miranda) pediu uma audiência para conversar comigo sobre várias assuntos. Eu não respondi sobre, eu tenho reunião com mais de 100 pessoas por mês, dos mais variados assuntos possíveis. Eu não posso simplesmente, ao chegar qualquer coisa pra mim, ter que tomar providência imediatamente. Tomei providência nesse caso”, declarou. Em depoimento à CPI da Covid-19, Luis Miranda disse que, ao relatar os indícios de irregularidades na compra da Covaxin, Bolsonaro teria se comprometido a repassar o caso ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), mas o órgão só abriu um inquérito três meses depois do encontro no Palácio da Alvorada, que ocorreu no dia 20 de março. O presidente também é investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por suspeita de prevaricação, ou seja, por suposta omissão diante de potenciais desvios.

No Rio Grande do Sul, Bolsonaro voltou a atacar a CPI e reafirmou que não irá responder a carta enviada pelos senadores Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Renan Calheiros, que são, respectivamente, presidente, vice-presidente e relator da comissão. “Não tenho obrigação de responder. Ainda mais carta pra bandido. Três bandidos”, disse. Na quinta-feira, 8, o chefe do Executivo federal acusou Aziz de desviar R$ 260 milhões do Estado do Amazonas. Em sua live semanal, comentou sobre o documento e disparou: “Caguei para a CPI”. Neste sábado, 10, ao lado do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), membro da comissão do Senado, o presidente da República também atacou o ministro Luis Roberto Barroso e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chamou de “aquele de nove dedos”, e comentou, ainda que indiretamente, a pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 9, pelo Datafolha. “Se aquele de nove dedos tem 60%, segundo o Datafolha, vamos fazer o voto impresso auditável da deputada Bia Kicis, para ver se ele ganha, realmente no primeiro turno. Quero perguntar ao ministro Barroso, do Supremo Tribunal Federal. Ministro esse que defende a redução da maioridade para estupro de vulnerável, ou seja, beira a pedofilia o que ele defende. Ministro que defende o aborto, ministro que defende a legalização das drogas. Com essas bandeiras todas, ele não tinha que estar no Supremo, tinha que estar no Parlamento”.