‘Não será comprada’, anuncia Bolsonaro sobre CoronaVac

A declaração veio um dia após o Ministério da Saúde informar que governo federal irá incorporar a vacina no Programa Nacional de Imunizações

  • Por Jovem Pan
  • 21/10/2020 09h33 - Atualizado em 21/10/2020 11h57
Carolina Antunes/PRMensagem foi publicada em resposta a um seguidor de Bolsonaro que pediu para que o governo federal não adquirisse a vacina chinesa

Após o Ministério da Saúde anunciar na tarde de terça-feira, 20, que o governo federal irá incorporar a Coronavac, vacina desenvolvida em conjunto pelo Instituto Butantan e pela empresa chinesa Sinovac, no Programa Nacional de Imunizações, o presidente Jair Bolsonaro se posicionou, nesta quarta-feira, 21, contra a compra do imunizante. A mensagem foi publicada em resposta a um seguidor de Bolsonaro que pediu para que a federação não comprasse a vacina chinesa. Em seguida, o chefe do Executivo respondeu em caixa alta: “NÃO SERÁ COMPRADA“. A frase está entre os assuntos mais comentados do Twitter nesta manhã. Em outra postagem, o presidente afirmou que a sua decisão é a de “não adquirir a referida vacina”.

Presidente respondeu comentário de um seguidor no Facebook Foto: Reprodução

“Presidente, a China é uma ditadura, não compre essa vacina, por favor”, pediu o usuário. “Eu só tenho 17 anos e quero ter um futuro, mas sem interferência da ditadura chinesa.” Em outros dois comentários, Bolsonaro respondeu que tudo será esclarecido hoje. A vacina foi incorporada após reunião virtual do ministro da SaúdeEduardo Pazuello, com o Fórum dos Governadores ontem. “Parabéns, ministro, pela atitude, parabéns pelo posicionamento. O que o Brasil precisa é disso: paz, união, integração e a vacina”, anunciou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Em seu Facebook, Bolsonaro chamou, nesta manhã, a Coronavac de “vacina chinesa de João Doria” e afirmou que “o povo brasileiro NÃO SERÁ COBAIA DE NINGUÉM“. O presidente afirmou que a sua decisão é de que o governo federal não adquira a vacina. “Não se justifica um bilionário aporte financeiro num medicamento que sequer ultrapassou sua fase de testagem”, disse.

– A vacina chinesa de João Dória:- Para o meu Governo, qualquer vacina, antes de ser disponibilizada à população,…

Publicado por Jair Messias Bolsonaro em Quarta-feira, 21 de outubro de 2020

A guerra da vacina

A Coronavac tem sido protagonista de um imbróglio envolvendo o presidente Jair Bolsonaro, João Doria e o Ministério da Saúde. Após Doria afirmar que a vacina contra Covid-19 será obrigatória em todo o estado, quando for aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), bolsonaristas começaram a organizar ato contra a obrigatoriedade do imunizante no estado e contra a vacina chinesa. Em conversas com apoiadores na segunda-feira, 19, Bolsonaro afirmou que a decisão é do governo federal, e que o seu “ministro [da Saúde] já disse claramente que não será obrigatória essa vacina, e ponto final”. Em seguida, o presidente disse, sem citar o nome de Doria, que “tem um governador também aí que tá se intitulando o médico do Brasil, dizendo que ela será obrigatória. Repito: não será”. Inicialmente, a Coronavac não havia sido incluída pelo ministério no Programa Nacional de Imunizações. O movimento foi interpretado como uma retaliação política do presidente Jair Bolsonaro a Doria, já que a verba para ampliar a produção da Coronavac teria de ser repassada ao governo do Estado de São Paulo. “O que não vamos admitir é politização da vacina”, disse Doria. “Não há hipótese de o governo de São Paulo e eu, como governador, aceitarmos qualquer colocação postergatória, do Ministério da Saúde ou da Anvisa, para não iniciar a vacinação o mais rapidamente possível”, frisou na ocasião.