Para diminuir rejeição, Lula adota fim da escala 6×1 como bandeira
A discussão sobre o fim da escala 6×1 se tornou uma das prioridades de Lula para 2026, ano eleitoral. O governo vai enviar um novo texto ao Congresso logo depois do Carnaval. “Esse é um debate central, é uma prioridade do presidente Lula”, disse o vice-líder do governo no Congresso Lindbergh Farias (PT-RJ). O texto será encaminhado ao Congresso com regime de urgência constitucional, ou seja, com prazo de 45 dias para tramitação cada casa legislativa.
O deputado afirmou que o projeto “pauta o país” e que “a sociedade exige que o tema seja tratado como prioridade”.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já sinalizou que colocará o assunto em pauta. “Devemos acelerar também o debate sobre a PEC 6×1, com equilíbrio e responsabilidade, ouvindo trabalhadores e empregadores”, disse na última segunda-feira (2).
A reportagem apurou que parte da base do governo está pessimista quanto ao avanço da matéria ainda em 2026 por conta da complexidade do tema. Outros, no entanto, acreditam que o apelo popular vai obrigar o Congresso a discutir o assunto e que uma votação ainda neste ano é possível.
A pauta, ainda que extremamente popular, esbarra em questões econômicas: um possível fim da escala 6×1 poderia resultar no fechamento de postos de trabalho e no desaquecimento do comércio, alertaram especialistas da área econômica ligados ao governo. A alta empregabilidade e o poder de compra são duas das principais bandeiras do governo para exaltar a atual gestão.
O assunto também é rejeitado pelo empresariado, que ainda não entrou em campo para argumentar contra a mudança por considerar que o debate é incipiente e causaria desgaste.
A insistência no assunto também faz parte de uma estratégia para ganhar mais popularidade e diminuir a alta rejeição que impede Lula de abrir vantagem nas pesquisas. Em ano eleitoral e com pouco tempo para debate, o petista poderia ter o melhor de dois mundos: se colocar como principal defensor de uma pauta popular, mas não enfrentar as dificuldades para a aprovação da matéria até o fim das eleições. Com isso, a base do governo espera uma diminuição da rejeição e um caminho mais tranquilo para a reeleição.
A última pesquisa Atlas/Intel, divulgada nesta quarta-feira (21), exemplifica bem o cenário que preocupa o PT: nas disputas de 1º turno, o atual presidente marca de 48% a 49% das intenções de voto em todos os cenários. Nas pesquisas de 2º turno, Lula estaciona nos 49%, ainda à frente de todos os potenciais adversários, mas escancarando a dificuldade que o petista tem de convencer eleitores de outros candidatos ou indecisos.
O levantamento também questionou os eleitores sobre quais candidatos eles “não votariam de jeito nenhum”. Lula foi o segundo mais rejeitado, com 49,7%. Ele só ficou atrás do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que, apesar de inelegível, foi rejeitado por 50% dos entrevistados.
Os números acenderam um alerta em líderes governistas. Lula não tem conseguido transformar as recentes agendas positivas na economia – como desemprego recorde, inflação dentro da meta e aprovação da isenção do IR para quem ganha até R$ 5.000, além do protagonismo internacional com a queda do “tarifaço” de Trump – em intenções de voto.positivas na economia – como desemprego recorde, inflação dentro da meta e aprovação da isenção do IR para quem ganha até R$ 5.000, além do protagonismo internacional com a queda do “tarifaço” de Trump – em intenções de voto.
PT mira jovens
Um dos números que mais assustaram o PT na última pesquisa Atlas Intel foi a rejeição do atual presidente entre os mais jovens. 75,5% dos entrevistados na faixa dos 16 a 24 anos desaprovam o governo.
O número é um pouco maior do que a rejeição entre os evangélicos (74,2%), demografia já identificada como um problema para o partido. A sigla tenta, nos últimos anos, acenar para os protestantes, geralmente mais conservadores.
A rejeição entre os mais jovens, no entanto, é novidade: fundado em 1980, o PT sempre contou com a popularidade entre os jovens. Foram eles, junto com sindicalistas e intelectuais, que fomentaram o crescimento do partido na redemocratização e que credenciaram a ascensão de Lula ao Planalto.
Mais desiludida e mais conservadora, a atual geração de jovens já nasceu com partido consolidado entre os maiores do país. Também cresceu vendo o PT no poder. Por isso, não enxerga a sigla como uma forma de mudança. A forma de o partido se comunicar, mais analógica, também é vista como um entrave para penetrar nas gerações Z e Alpha.
A discussão sobre o fim da escala 6×1, que ganhou tração na internet antes de chegar a Brasília, é vista como uma oportunidade única de alcançar o público mais jovem. Em outro eixo, a esquerda tenta modernizar sua forma de se comunicar para dialogar com esses eleitores. Admitem, no entanto, que a direita continua muito à frente na guerra narrativa travada nas redes sociais.
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