Caso Master: Polícia Federal prende ex-presidente do BRB  

A prisão ocorreu na manhã desta quinta-feira (16), durante a 4ª fase da Operação Compliance Zero

  • Por Rodrigo Viga e Victor Trovão*
  • 16/04/2026 07h10 - Atualizado em 16/04/2026 12h10
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Rafael Lavenère / BRB Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa

A Polícia Federal prendeu o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa ao deflagrar, nesta quinta-feira (16), a 4ª fase da Operação Compliance Zero.

A PF informou ao ministro do STF André Mendonça que identificou o suposto fluxo de propina destinado a Paulo Henrique Costa na negociação de venda do Banco Master ao BRB, que teria sido viabilizado por meio da compra de imóveis. Com base nessas informações, o magistrado determinou a prisão preventiva de Costa.

O ex-presidente do BRB é investigado por sua atuação na tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, além da compra de carteiras fraudulentas oferecidas pelo banco de Daniel Vorcaro.

O executivo assumiu a presidência do BRB em 2019, indicado pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e liderou a tentativa de aquisição do Banco Master pela instituição. Ele foi afastado do cargo em novembro, após decisão judicial no âmbito da primeira fase da operação.

Em nota, a defesa do ex-governador disse que Ibanes “não acompanhava, não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência em operações realizadas pelas referidas instituições financeiras”.

Também afirmou que a conversa com Daniel Vorcaro corrobora o que foi apontado pela defesa. Ainda diz que, se ele tivesse participação direta nas operações, seria desnecessária a elaboração de nota técnica para ele mesmo.

‘Sustentação jurídica’

O advogado Daniel Monteiro também foi preso nesta quinta-feira. De acordo com as investigações, ele seria responsável por dar “sustentação jurídica” aos esquemas de Vorcaro.

A reportagem da Jovem Pan tenta contato com as defesas de Paulo Henrique Costa e Daniel Lopes Monteiro. O espaço segue aberto para manifestação.

A operação apura um esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

Ao todo, policiais federais cumprem dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e em São Paulo.

Em nota, o Governo do Distrito Federal afirmou que a prisão de Paulo Henrique Costa são de competência do Poder Judiciário, a quem cabe o julgamento.

“A nova gestão à frente do GDF reafirma seu compromisso com a transparência, o respeito às instituições e a legalidade, e seguirá colaborando com as instâncias competentes”, afirmou a governadora do DF Celina Leão.

BRB e Master

A aquisição de ativos considerados de alto risco ocorreu no contexto das negociações para que o BRB assumisse o controle do Banco Master. A operação foi barrada pelo Banco Central e passou a ser alvo de apuração pela Polícia Federal.

O processo tramita no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro André Mendonça. Além de Costa, ex-diretores da instituição também estão sendo investigados. Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março, por determinação de Mendonça. O banqueiro é investigado por crimes contra o sistema financeiro.

As liquidações do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, revelaram um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro.

caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público e tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e a Polícia Federal (PF).

“A decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN”, informou o BC em nota na época.

De forma extrajudicial, foram liquidados o Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A, e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhada da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN).

*Com informações do Estadão Conteúdo 

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