PSB pede que Fachin intime governador do Rio por operação no Jacarezinho

Partido, que entrou com ação no STF para reduzir letalidade da polícia, desconfia que as forças de segurança do Rio descumpriram determinação de entrar em favelas apenas em situações excepcionais

  • Por Jovem Pan
  • 08/05/2021 18h37 - Atualizado em 08/05/2021 19h24
José Lucena/The News 2/Estadão Conteúdo - 06/05/2021Policiais participam de operação na favela do Jacarezinho, zona norte do Rio

O Partido Socialista Brasileira (PSB) pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin que intime o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, para que ele comprove que a administração estadual não feriu a determinação da Corte de realizar incursões policiais em favelas apenas em situações excepcionais. Na quinta-feira, 6, uma operação na favela do Jacarezinho, zona norte da capital fluminense, deixou 28 mortos (27 suspeitos e um policial civil). Autor de uma ação que pede a redução de letalidade policial, que será discutida no STF a partir do próximo dia 21, o partido questiona a legalidade da ação da Polícia Civil fluminense. “Creio que a operação não tenha sido realizada em conformidade com a decisão do STF. Por isso mesmo, será necessária uma rigorosa investigação e a correspondente punição dos agentes policiais que cometeram excessos”, disse Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB.

Castro rechaça a tese de que a decisão do STF foi descumprida. “É preciso deixar claro que a operação foi o fiel cumprimento de dezenas de mandados de prisão. Foram dez meses de trabalho de investigação que revelaram a rotina de terror e humilhação que o tráfico impôs aos moradores. Crianças eram aliciadas e cooptadas para o crime. Famílias inteiras eram expulsas de suas casas e mortas”, justificou o governador. Moradores afirmam que alguns suspeitos foram executados, o que a polícia nega. Neste sábado, 8, a Coalizão Negra por Direitos realizou um protesto no Masp, em São Paulo, pedindo “justiça por Jacarezinho” e “o fim da Polícia Militar”. Rio de Janeiro e Belo Horizonte também tiveram manifestações contra a violência policial.