Relator da reforma do IR vê cobrança de Paulo Guedes por aprovação da matéria como ‘chantagem’

Senador Angelo Coronel (PSD-BA) já manifestou intenção de apresentar parecer ainda este ano, mas ressalta que matéria complexa não pode ser analisada e votada de maneira açodada

  • Por André Siqueira
  • 04/10/2021 18h14
Roque de Sá/Agência SenadoSenador Angelo Coronel se reuniu com ministro Paulo Guedes para tratar sobre reforma do IR na última semana

Em conversa com interlocutores e colegas de Casa, o relator da reforma do Imposto de Renda no Senado, Angelo Coronel (PSD-BA), tem classificado como “chantagem” a cobrança do ministro da Economia, Paulo Guedes, pela aprovação do projeto. Em entrevista à Jovem Pan, o parlamentar reforçou a intenção de entregar o seu parecer ainda este ano, mas destacou que um assunto complexo como este não pode ser analisado e votado de maneira açodada. No início da última semana, Coronel e Guedes se reuniram para tratar sobre a matéria. Na ocasião, segundo apurou a reportagem, o chefe da equipe econômica disse considerar que o texto aprovado na Câmara dos Deputados é ideal. O senador, por sua vez, prega cautela. “Você não pode fazer uma reforma sem ouvir aqueles que são os grandes responsáveis pela geração de impostos que tocam a máquina pública, sem ouvir Estados e municípios, sem ouvir o pagador de imposto. Aí não é reforma. Pelo o que tenho sentido, o mundo empresarial foi pouco ouvido”, avalia.

Paulo Guedes condiciona a criação do Auxílio Brasil, que irá substituir o Bolsa Família, à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos precatórios e da reforma do IR. Na segunda-feira, 27, o chefe da equipe econômica disse que se o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), colocasse a proposta “na gaveta”, estaria dizendo à população brasileira que “não está preocupado” com o benefício. Na sexta-feira, 1º, em um evento no Palácio do Planalto, o ministro afirmou que as duas matérias asseguram o espaço fiscal necessário para bancar os programas sociais. “Precisamos da PEC dos Precatórios, que é o que assegura o nosso espaço para os programas sociais, e precisamos do Imposto de Renda. Ou seja, quem não pagava imposto nos últimos 25 anos, os super ricos, estão tendo que botar a mão no bolso e pagar só 15%. É claro que eles também vão ter que contribuir com o Brasil. O Congresso aprovando isso, a PEC dos Precatórios, e aprovando a reforma do IR, nós teremos garantido o Bolsa Família subindo mais de 60%, bem mais do que subiu a comida, o combustível, tudo isso. Esse programa já está garantido, praticamente, porque eu confio no Congresso, na capacidade de entrega do Congresso brasileiro”, disse.