Rodrigo Maia vira vice-líder da oposição na Câmara dos Deputados

Ex-presidente da Câmara, ainda sem partido, vai atuar junto ao bloco na tramitação da reforma tributária

  • Por André Siqueira
  • 12/08/2021 12h56
Najara Araujo/Câmara dos DeputadosComo vice-líder, ex-presidente da Casa terá tempo de discurso em plenário e poderá participar da construção de acordos

Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (sem partido) se tornou um dos vice-líderes da oposição na Casa, ao lado de outros oito parlamentares, todos de siglas que se opõe ao governo do presidente Jair Bolsonaro. São eles: Tadeu Alencar (PSB-PE), Perpétua Almeida (PCdoB-AC), Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Jorge Solla (PT-BA), Leônidas Cristino (PDT-CE), Enio Verri (PT-PR), Paulo Teixeira (PT-SP) e Chico D’Angelo (PDT-RJ). O bloco é liderado pelo deputado Alessandro Molon (PSB-RJ). Segundo apurou a Jovem Pan, Maia vai atuar junto ao bloco nas discussões sobre a reforma tributária, que tramita na Câmara dos Deputados, sob relatoria do deputado Celso Sabino (PSDB-PA). A oposição é favorável à proposta, mas defende que o texto promova mudanças mais profundas e substanciais. Como vice-líder, o ex-presidente da Casa terá tempo de discurso em plenário e poderá participar da construção de acordos sobre o texto.

O antagonismo de Maia em relação ao Palácio do Planalto começou a ocorrer nos últimos meses de sua gestão à frente da Câmara dos Deputados e se acentuou às vésperas da eleição para o comando da Casa. Ele apoiava o deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP) como seu sucessor, mas foi derrotado por Arthur Lira (PP-AL). À época, o deputado disse, reiteradamente, que o governo Bolsonaro utilizou a máquina pública, através das emendas parlamentares, para interferir no pleito do Legislativo. Maia também criticou a aproximação de uma ala do DEM, então seu partido, com o governo Bolsonaro, entrou em rota de colisão com ACM Neto, presidente nacional da sigla, e deixou a legenda. Em uma entrevista ao jornal Valor Econômico, Maia disse que Neto “entregou a nossa cabeça numa bandeja ao Palácio do Planalto”.