Senadores aprovam convocação de assessor de Pazuello citado em depoimento ao MPF

Alex Lial Marinho, tenente-coronel do Exército, é apontado como autor de ‘pressão anormal’ para importação da vacina indiana Covaxin

  • Por Jovem Pan
  • 23/06/2021 10h33 - Atualizado em 23/06/2021 16h24
Edilson Rodrigues/Agência SenadoCúpula da CPI da Covid-19 analisa documentos no plenário da comissão

A CPI da Covid-19 aprovou, na sessão deliberativa desta quarta-feira, 23, a convocação e as quebras de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático do tenente-coronel Alex Lial Marinho, citado em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) como autor de uma pressão sobre um servidor do Ministério da Saúde para agilizar a liberação da vacina Covaxin na gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello. A compra do imunizante fabricado pela farmacêutica indiana Bharat Biotech está na mira da comissão em razão do valor pago pelas doses e a existência de um intermediário, a Precisa Medicamentos, envolvida no processo.

Ao MPF, no dia 31 de março, Luís Ricardo Fernandes Miranda, chefe da divisão de importação da pasta e irmão do deputado federal Luís Miranda (DEM-DF), disse ter sofrido uma “pressão anormal” de Alex Lial Marinho para que fosse encontrada uma forma de superar os entraves burocráticos para a importação e aplicação da Covaxin. Como a Jovem Pan mostrou, a apuração sobre o contrato bilionário representa a nova fase de investigação da comissão. Nesta quarta-feira, 23, a CPI ouviria Francisco Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos, representante do imunizante no Brasil, mas, segundo ofício encaminhado aos senadores, ele cumpre quarentena após uma viagem recente à Índia. Em razão disso, o depoimento deve ocorrer na quinta-feira, 1º, ou na sexta-feira, 2.

A compra do imunizante fabricado pela farmacêutica indiana Bharat Biotech, está na mira da comissão: o governo federal disponibilizou mais de R$ 1,6 bilhão para a aquisição de 20 milhões de doses de um imunizante que só foi aprovado com restrições pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início do mês de junho. Além disso, as doses da Covaxin são as mais caras e foram contratadas com intermédio da Precisa Medicamentos, um expediente que foge dos padrões de outras negociações feitas pela União – a dose da vacina indiana custa cerca de R$ 80; a da Pfizer, R$ 56.