STF forma maioria contra ‘orçamento secreto’; julgamento continua
O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria contra o pagamento das emendas de relator, conhecidas como “orçamento secreto“. Diferentemente das emendas individuais de deputados e senadores, elas não seguem critérios usuais de transparência e são definidas com base em acertos informais entre o Palácio do Planalto e parlamentares aliados. Mais cedo, os ministros Cármen Lúcia, Luis Roberto Barroso e Edson Fachin já haviam seguido o entendimento da ministra Rosa Weber, relatora do caso, que suspendeu o repasse dos recursos na sexta-feira, 5. Na tarde desta terça-feira, 9, os ministros Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes apresentaram seus votos em um curto intervalo de tempo e seguiram o posicionamento dos quatro colegas de Corte. Depois de Moraes, Gilmar Mendes se manifestou, indo contra o voto da relatora Rosa Weber.
Ainda faltam os votos dos ministros Nunes Marques, Dias Toffoli e Luiz Fux. O julgamento ocorre no plenário virtual e segue até às 23h59 desta quarta-feira, 10. Os magistrados que ainda não votaram podem pedir destaque e levar o caso para o plenário, o que suspenderia a análise das ações. Mesmo neste caso, o pagamento das emendas seguiria suspenso. Na prática, o Supremo impõe uma derrota ao presidente Jair Bolsonaro e ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).
Na liminar concedida na sexta-feira, 5, além de suspender o pagamento das emendas de relator, a ministra Rosa Weber determinou que o governo e o Congresso estabeleçam “medidas de fomento à transparência ativa”. “Quanto ao orçamento dos exercícios de 2020 e 2021, que seja dada ampla publicidade, em plataforma centralizada de acesso público, aos documentos encaminhados aos órgãos públicos e entidades federais que embasaram as demandas e/ou resultaram na distribuição de recursos das emendas de relator-geral (RP-9), no prazo de 30 dias corridos”, escreveu. Com isso, será possível saber quais parlamentares foram agraciados e quanto cada um deles recebeu.
[jp-related-posts ids=”1183613,1183614,1183578″]
O instrumento é utilizado pelo Palácio do Planalto para aglutinar a base de apoio em votações importantes no Congresso. A oposição denuncia a prática e afirma que o dispositivo tem utilizado este dispositivo para a compra de votos. Em outubro, segundo dados do portal Siga Brasil, o governo bateu o recorde do ano no empenho das emendas do relator-geral do Orçamento, com mais de R$ 1,9 bilhão. A ONG Portas Abertas, que também pesquisa sobre o orçamento público brasileiro, aponta que R$ 909 milhões foram empenhados nos dias 28 e 29 de outubro, às vésperas da votação em primeiro turno da PEC dos Precatórios.
O esquema do “orçamento secreto” foi revelado em maio pelo jornal O Estado de S. Paulo. Segundo uma reportagem publicada à época, parlamentares indicavam obras públicas e compra de equipamentos em suas bases eleitorais. Os recursos serviram para a compra de tratores e outros equipamentos agrícolas, além de obras consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Assuntos
continue lendo
Política
Relatório usado por Moraes contra Mendonça não segue parâmetros, diz associação de inteligência
Intelis, a União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Agência Brasileira de Inteligência, diz que o conteúdo não é compatível com os parâmetros metodológicos estabelecidos"
- Datafolha: 46% estão mais preocupados com eleição do que em 2022 e 57% mais decididos a votar Estadão Conteúdo · há 3 horas
- Delegados pedem que Gonet se declare impedido em investigação sobre diálogos de Daniel Vorcaro Estadão Conteúdo · há 6 horas
- Augusto Cury celebra crescimento nas pesquisas: ‘Brasil merece ser pacificado’ Estadão Conteúdo · há 7 horas
- Gilmar Mendes protocola emenda que proíbe policiais como funcionários dos ministros do STF Bruno Pinheiro · há 7 horas