Vorcaro é transferido para cela que Bolsonaro reclamou de ar-condicionado barulhento
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu na segunda-feira (23) pedido da defesa do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para transferi-lo de cela. Agora, o banqueiro ocupa a Sala de Estado-Maior da Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) do Distrito Federal, onde estava preso o ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações são do portal g1.
Por lei, a Sala de Estado-Maior é reservada a autoridades e altas figuras públicas. Condição que não se aplicava a Vorcaro. Anteriormente, o banqueiro estava custodiado em um alojamento com menos recursos, onde havia uma mureta para separar a cama de concreto do vaso sanitário e do chuveiro.
Na cela preparada para Bolsonaro, tinha televisão, frigobar, armários, cama de casal, ar-condicionado, uma mesa e banheiro privativo.
Durante o período no qual ficou custodiado na Superintendência da PF, o ex-presidente e seus familiares relataram que o ar-condicionado fazia muito ruído. Diante das reclamações, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou, em 15 de janeiro, a transferência do capitão da reserva para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), localizado no Complexo da Papuda, conhecido como “Papudinha”.
Transferência de Vorcaro
Na quinta-feira (19), Mendonça autorizou a transferência do dono do Master da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da PF. A ida do banqueiro foi realizada de helicóptero e se deu junto à assinatura do termo de confidencialidade com a própria corporação e com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O documento viabiliza uma negociação para delação premiada.
A mudança do local de detenção de Vorcaro é um indicativo de que o processo de delação premiada já começou. Isso porque, custodiado na Superintendência, o banqueiro fica mais acessível a conversas.
Nesse momento inicial, o dono do Master prestará depoimento no qual fará a exposição dos fatos com a apresentação de provas ou indicação de onde podem ser encontradas. Depois, o relator do caso, o ministro André Mendonça, será comunicado. Caberá ao magistrado homologar ou não a delação.
Mudança de advogado
No dia 13 de março, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, fez uma troca em sua defesa. O advogado Pierpaolo Bottini deixou a equipe para a entrada de José Luís Oliveira Lima, conhecido como Dr. Juca. Com a mudança, abriu-se a possibilidade de o banqueiro fazer um acordo de delação premiada.
Bottini era contra o uso do benefício como estratégia jurídica. Diferente do Dr. Juca, que é especializado em delação premiada. O advogado também defende o general Walter Braga Netto, condenado a 26 anos de prisão por envolvimento na trama golpista.
Dias depois de ser preso, Vorcaro havia feito uma sondagem inicial com investigadores da PGR e da PF sobre a possibilidade de fazer um acordo de delação premiada. Segundo informou o portal UOL, o estágio das tratativas até então era inicial.
Entenda o caso Master
Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial de:
- Banco Master S/A;
- Banco Master de Investimentos S/A;
- Banco Letsbank S/A;
- Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do Master, teve o seu encerramento forçado.
O processo de liquidação foi acompanhado da Operação Compliance Zero. Também em 18 de novembro, a PF deflagrou a primeira fase da ação para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Diante da possibilidade de fuga, Vorcaro foi preso um dia antes. O banqueiro foi solto com o uso de tornozeleira eletrônica. Em 4 de março, ele foi detido novamente.
Segundo as investigações, o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, a instituição passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.
Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.
Em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.
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