Wizard nega gabinete paralelo à CPI da Covid-19, mas não responde perguntas de senadores

Empresário estava amparado em decisão do STF que assegurou a ele o direito de não produzir provas contra si mesmo; sigilo bancário e fiscal serão entregues voluntariamente à comissão

  • Por Jovem Pan
  • 30/06/2021 17h17 - Atualizado em 30/06/2021 17h19
Pedro França/Agência SenadoEmpresário Carlos Wizard depôs nesta quarta-feira, 30, na CPI da Covid-19

Em seu depoimento à CPI da Covid-19, Carlos Wizard ficou em silêncio e não respondeu a nenhuma pergunta dos senadores. Amparado por uma decisão do ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe garantiu o direito de não produzir provas contra si mesmo, o empresário, apontado como integrante do gabinete paralelo de assessoramento ao presidente Jair Bolsonaro, se limitou a dizer uma única frase: “Me reservo ao direito de permanecer em silêncio”. Em sua fala inicial, de aproximadamente 15 minutos, ele negou que tenha sido convidado para integrar este grupo de aconselhamento. Presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que irá recorrer à Corte para que Wizard seja obrigado a dizer a verdade ao colegiado.

Diante do silêncio de Wizard, os senadores exibiram vídeos com declarações do empresário bolsonarista, que despachou por aproximadamente um mês no Ministério da Saúde mesmo sem ser nomeado a nenhum cargo. Em entrevistas, ele sugeriu que gestores estaduais inflavam o número de mortes causadas pela Covid-19 para receber mais dinheiro da União. Em uma das filmagens, o depoente diz, com um sorriso no rosto, que cinco pessoas teriam morrido na cidade de Porto Feliz, no interior de São Paulo, porque “ficaram em casa” e não recorreram ao uso de medicamentos comprovadamente ineficazes para o tratamento da doença. Em outro vídeo, Wizard afirma que recebeu do então ministro da Saúde Eduardo Pazuello a missão de “forrar o país” com cloroquina e hidroxicloroquina.

Um dos momentos mais acalorados da sessão desta quarta-feira, 30, ocorreu quando o senador Otto Alencar (PSD-BA), que presidia momentaneamente a reunião, afirmou que o advogado Alberto Zacharias Toron estava “corado”, enquanto o seu cliente havia “amarelado”. Autor de teses que impuseram derrotas à Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Toron é um dos criminalistas mais famosos do país. Em um primeiro momento, ele afirmou que Alencar se referiu a ele de forma “jocosa” e foi “covarde” ao não permitir a sua resposta. O senador ameaçou chamar a Polícia Legislativa para retirá-lo do plenário, mas, diante de um pedido de desculpas, a sessão prosseguiu. Na parte final da reunião, a defesa de Wizard afirmou que ele entregará voluntariamente informações sobre o seu sigilo bancário e fiscal – a comissão também aprovou a quebra do sigilo telefônico e telemático.