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Possível compra de vacinas pela rede privada de saúde preocupa especialistas

A avaliação é que a oferta do imunizante contra a Covid-19 nas clínicas particulares vai agravar as desigualdades existentes no país

Caroline Hardt

O anúncio de que clínicas privadas de vacinação estão negociando a compra de 5 milhões de doses do imunizante indiano contra a Covid-19 gerou críticas por parte do setor da saúde. Na segunda-feira, 04, uma comitiva formada por representantes de clínicas particulares de vacinação embarcou para a Índia, para negociar a compra da Covaxin. Em nota, a Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas afirmou que a medida tem como objetivo ampliar a imunização no Brasil e contribuir com o governo na cobertura vacinal. Essa, porém, não é a avaliação dos especialistas, que afirmam que, embora não haja entrave legal, a medida esbarra em questões éticas.

Na avaliação de Walter Cintra, professor da Fundação Getúlio Vargas, a disponibilização de um imunizante na rede privada vai agravar as desigualdades existentes no Brasil. “Nós estamos em um momento da pandemia, onde a população que mais está sofrendo os impactos da pandemia, em outras palavras, que está mais ficando doente e mais morrendo, são exatamente a população mais pobre, a população mais vulnerável”, opina. Para o professor Gonzalo Vecina Neto, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, as clínicas privadas podem cooperar com o governo federal. No entanto, isso deve acontecer de acordo com o que for determinado por ele. “O Estado pode pegar as vacinas e falar: ‘iniciativa privada, me ajude a vacinar”. E a iniciativa tem que perguntar: ‘Como?’. ‘Como eu mandar, eu, Estado’. Então, primeiro, você vai vacinar os grupos de risco que eu determinar. Você pode cobrar pela vacina? Não, eu estou dando para você vacinar.”

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Produzida pelo laboratório Bharat Biotech, a Covaxin está na fase três de testes, quando a eficácia precisa ser comprovada. O uso emergencial da vacina foi aprovado pelo governo indiano no domingo, 03, sob críticas de que a decisão foi “apressada”. Segundo a nota publicada pela ABCVac, a expectativa é que o resultado dessa etapa seja divulgado em janeiro. Com isso, o laboratório deve entrar com o pedido de registro na Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em fevereiro. O imunizante precisa ser aprovado pela agência reguladora para ser distribuído no Brasil. Por meio de nota, o Ministério da Saúde afirmou que as clínicas particulares devem seguir a ordem dos grupos prioritários, como consta no plano nacional de imunização.

*Com informações da repórter Nicole Fusco