Turquia lembrará armênios que “perderam a vida”, mas nega genocídio
Ancara, 20 abr (EFE).- O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, assegurou nesta segunda-feira que seu país lembrará em 24 de abril os “armênios otomanos” que “perderam a vida” durante as deportações maciças de 1915, mas insistiu em negar o termo genocídio e que a Turquia tenha toda a responsabilidade dessa tragédia.
“Nós também acreditamos que, para aliviar nossa dor, é tão importante enfrentar o passado de forma honesta como lembrar àqueles que perderam suas vidas”, disse Davutoglu em comunicado.
O chefe do Executivo se uniu assim às celebrações do próximo dia 24 de abril, quando os armênios lembram o que eles consideram um genocídio contra este povo cometido pelo então Império Otomano durante o I Guerra Mundial.
No entanto, Davutoglu manteve hoje a postura oficial de Ancara de oferecer condolências, mas sem aceitar que o que ocorreu foi um genocídio.
“No entanto, degradar tudo a uma simples palavra e pôr toda a responsabilidade no povo turco e associá-lo com palavras de ódio representa um problema de consciência e legal”, ressaltou o primeiro-ministro turco.
Apesar disso, Davutoglu assegurou que “Turquia não será indiferente a sua responsabilidade e continuará fazendo todo o possível pela amizade e a paz”.
Nesse sentido, comentou que “proteger a memória dos armênios otomanos e a herança cultural armênia é uma obrigação humana da Turquia”.
Por isso, o dia 24 será lembrado de forma oficial também na Turquia com uma cerimônia religiosa no Patriarcado da Armênia.
Davutoglu opinou que uma cerimônia conjunta de Turquia e Armênia seria muito mais apropriada.
“Como os netos de dois povos que compartilharam o mesmo destino no bom e no ruim cem anos atrás, nossa responsabilidade mútua é curar as feridas e restabelecer nossos vínculos humanos”, declarou o primeiro-ministro.
Hoje mesmo após uma reunião do Conselho de Ministros, o vice-primeiro-ministro, Bulent Arinc, insistiu em negar o genocídio.
“O que ocorreu na Turquia em 1915 não se encaixa na definição de genocídio da ONU. Temos certeza de nós mesmos. Colocamos nossa postura ao mundo inteiro com confiança”, declarou Arinc.
Calcula-se que 1,5 milhão de armênios morreram durante as deportações maciças ordenadas pelas autoridades otomanas em 1915. Um número que a Turquia rebaixa a 500.000 e que enquadra dentro da mortandade, das lutas e da violência da I Guerra Mundial. EFE
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