Efeito guerra: corte menor da Selic
Antes de eclodir a guerra no Oriente Médio entre EUA e Israel contra o Irã, a maior parte do mercado acreditava num corte de 0,5 p.p. da taxa Selic. Com a guerra, e a forte elevação do preço do petróleo e do gás natural, o que traz evidentemente riscos inflacionários globais, o Banco Central (Bacen) reduziu a taxa apenas em 0,25 p.p.
Não só o corte foi menor, como o Bacen deixou em aberto a decisão para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) daqui a um mês e meio. Não se descarta a possibilidade de manutenção da taxa Selic em 14,75% a.a.
Muitos economistas defendem que a redução poderia ser maior, pois se trata de um choque de oferta, e não de demanda. Nesse caso, a manutenção da Selic em patamares elevados teria pouco efeito no controle inflacionário.
Por outro lado, os juros elevados contêm a disseminação do choque das commodities ao longo da cadeia produtiva, evitando alta generalizada dos preços e contaminação das expectativas inflacionárias. Dentro do Copom, essa visão é mais predominante.
Independentemente da decisão do Banco Central, a guerra já começa a atingir o mundo inteiro com mais inflação, e consequentemente, mais juros, o que poderá levar à estagflação em muitos países.
O preço de um ataque ao Irã é bem diferente da captura de Maduro.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
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