O velho patrimonialismo mais vivo do que nunca

  • Por Alan Ghani
  • 19/03/2026 15h06 - Atualizado em 19/03/2026 15h28
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Divulgação/Banco Master Banco Master Banco Master

Quem estudou história já deve ter ouvido sobre o termo “patrimonialismo”. Grosso modo, trata-se de se apoderar do Estado para interesses privados. Se desde a formação do Brasil este câncer esteve presente, hoje não é diferente. Apenas sofisticaram os meios.

No parlamento, assistimos a um verdadeiro escândalos de emendas. Deputados destinam recursos para alguns municípios, sem critério e transparência. E o pior: cobram propina. Utilizam do cargo apenas para enriquecimento pessoal e manter ativo os seus redutos eleitorais para se perpetuarem no poder.

No Poder Judiciário, observamos um verdadeiro conflito de interesse, que se normalizou na sociedade brasileira. Empresas com processos no STF patrocinam eventos com a presença de ministros da Suprema corte que serão os juízes de seus processos.

A concretização disso foi um evento de 2024 no qual Daniel Vorcaro, dono do banco Master, pagou uma degustação de uísque mais cara que um apartamento em bairro nobre de São Paulo (R$3 milhões) com a presença do diretor da Polícia Federal, Procurador da República e ministros do STF.

Cargos públicos exigem prudência, comedimento e limitações. Ninguém obrigou a pessoa a partir para essas carreiras. Mas infelizmente no Brasil há uma percepção de que tudo é permitido. Misturam os interesses públicos com os privados onde a fronteira ética desaparece.

A mistura dos negócios privados com a esfera pública ocorre na mais perfeita naturalidade. E aí de você se criticar. Corre o risco de cair num inquérito de fake news ou ser repreendido por “ataque à democracia”.

Nada como fazer parte do estamento burocrático estatal. É o velho e “bom” patrimonialismo brasileiro mais vivo do que nunca.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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