Trump deveria seguir os conselhos do FMI ou de Javier Milei

Se o resultado negativo nas contas públicas continuar, a dívida norte americana passaria hoje de 125% do PIB para 140% até 2040

  • Por Alan Ghani
  • 26/02/2026 15h01
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ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP trump e milei Presidente dos EUA, Donald Trump, cumprimenta o presidente da Argentina, Javier Milei, na Casa Branca em Washington, DC

O Fundo Monetário Internacional chamou a atenção para o elevado déficit fiscal americano, hoje próximo de 6% do PIB. De acordo com o órgão, se o resultado negativo nas contas públicas continuar, a dívida norte americana passaria hoje de 125% do PIB para 140% até 2040.

Não é de hoje que a dívida segue em trajetória crescente. Em meados de 1980, a dívida era de apenas 30% do PIB. O crescimento decorre da elevação das despesas públicas com subsídios empresariais, gastos com seguridade social e operações militares mundo afora.

O presidente eleito Donald Trump decidiu atacar esse problema com a elevação de tarifas protecionistas para tornar a balança comercial superavitária, aumentar a arrecadação do governo e diminuir o déficit fiscal americano.

Entretanto, Trump utiliza o remédio errado para atacar a doença, invertendo o diagnóstico. O déficit comercial norte americano é causado pelo elevado déficit fiscal, e não o contrário. É o que os economistas costumam chamar de déficit gêmeos.

O protecionismo pode agravar ainda mais o problema, na medida em que outros países colocam também barreiras comerciais aos EUA, o que pode reduzir as importações norte-americanas. Com ineficácia das tarifas, não há outra solução a não ser seguir o receituário do FMI: reduzir o gasto público.

Trump deveria seguir os conselhos econômicos do FMI ou de seu amigo Javier Milei.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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