Caso Gisele: SSP abre processo para expulsar tenente-coronel da PM

Prazo regimental de duração desse processo é de 3 meses, ou seja, ele pode ser expulso da corporação até o início de julho

  • Por Beatriz Manfredini
  • 30/03/2026 19h15 - Atualizado em 30/03/2026 19h31
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Divulgação / Polícia Civil Gisele Alves Santana, de 32 anos, esposa de um tenente-coronel da PM, encontrada morta Gisele Alves Santana, de 32 anos, esposa de um tenente-coronel da PM, encontrada morta

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) deu entrada, nesta segunda-feira (30), em um procedimento que deve terminar na expulsão do tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Geraldo Leite Rosa Neto, suspeito pelo feminicídio da soldado Gisele Alves Santana, por ato que vai contra o decoro da categoria. O Prazo Conselho é de 30 dias prorrogáveis por mais 20 dias.

O pedido, inicialmente, foi feito pela Corregedoria da PM e chegou hoje à SSP. A medida, chamada de pedido de conselho de justificação, acelera o processo de expulsão, que normalmente poderia durar até o fim do processo criminal.

Relembre o caso 

Gisele foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro. O caso inicialmente foi tratado como suicídio, mas mudou para feminicídio e fraude processual após o andamento das investigações. Em 18 de março, Geraldo foi levado e está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes.

O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas foi modificado para morte suspeita após a família da vítima relatar que ela vivia uma relação abusiva, com excesso de controle e ciúmes por parte de Geraldo Neto.

polícia afirma que versão do tenente-coronel não se sustenta e que Gisele foi assassinada pelo marido, ou seja, vítima de feminicídio. A conclusão foi feita com base em uma série de indícios técnicos que a perícia encontrou durante a apuração do caso.

Entre as evidências estão:

– marcas de unha na região do pescoço e do rosto de Gisele;

– manchas de sangue dela no banheiro, na bermuda e na toalha de Geraldo Neto;

– maneira como a arma foi encontrada na mão da vítima;

– modo como o corpo da policial estava disposto no chão indicando uma provável manipulação da cena do crime.

Outro importante elemento analisado pelos investigadores foi a relação do casal. A Polícia Civil extraiu as mensagens trocadas por Geraldo Neto e Gisele e identificou o histórico de constantes brigas, instabilidade. Gisele era submetida a um casamento violento, de muito controle, ameaças e ciúmes.

Para a polícia, esses diálogos desmentiram a versão do tenente-coronel de que ele desejava o divórcio. O interesse pela separação, na verdade, partia de Gisele e era Geraldo quem impunha uma resistência ao término.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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