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Beatriz Manfredini

Divergência sobre PCC escala disputas entre o governo federal e o de São Paulo; relembre

Além do episódio do metanol, as gestões de Lula e Tarcísio se estranharam em discussões sobre o caso Ruy Ferraz Fontes, a Favela do Moinho e o tarifaço de Donald Trump

Beatriz Manfredini

Os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça) e Alexandre Padilha (Saúde), durante entrevista para falar sobre os casos de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol
Bebidas alcoólicas adulteradas com metanol José Cruz/Agência Brasil

As recentes divergências e disputas políticas entre o governo federal e o governo de São Paulo ganharam uma nova fase nesta terça-feira (30). As duas esferas discordaram sobre a possível relação ou não do Primeiro Comando da Capital (PCC) com casos de contaminação por metanol em bebidas, em mais uma postura desencontrada em relação à organização criminosa. Ontem, duas coletivas de imprensa, quase que simultâneas, foram convocadas pelos governos — com resultados e falas diferentes.

Além do episódio do metanol, há duas semanas houve um estranhamento entre Polícia Federal, Ministério da Justiça e Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, quando o secretário Guilherme Derrite agradeceu, mas dispensou ajuda da Polícia Federal para investigar o assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes.

No fim do agosto, outro caso com tema similar: a facção foi alvo de diversas operações simultâneas contra lavagem de dinheiro em postos de combustíveis. Na ocasião, a PF e as forças de segurança paulistas também organizaram entrevistas coletivas no mesmo horário. Enquanto Tarcísio afirmou que denunciava o caso já há mais de ano, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, disse que foi “uma das maiores operações da história brasileira”.

Outros casos

Ainda neste ano, pelo menos outras duas discussões ganharam força entre as gestões: o caso da Favela do Moinho, no centro da capital, e o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

No primeiro, após a União ceder o terreno da comunidade à gestão estadual para a criação de um parque, a escalada política começou após denúncias de que famílias estariam sendo retiradas a força do local. Os relatos motivaram, primeiro, uma intervenção de ministros desembarcando no local e, depois, em uma agenda de Lula ali. Na ocasião, o presidente formalizou uma solução habitacional para o local. Tarcísio não participou do evento e, em falas recentes, chegou a dizer mais de uma vez que, até agora, o que foi falado pelo governo federal não foi colocado em prática — e que Secretaria de Habitação do Estado tem trabalhado sozinha.

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Já sobre as tarifas impostas por Donald Trump, o governador de São Paulo foi bastante criticado nominalmente por aliados de Lula por ter celebrado a vitória do presidente americano para o novo mandato. Eles chegaram a trocar farpas, inclusive, nas redes sociais — caso do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e da ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Depois, no mesmo dia em que o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, marcou uma reunião com setores afetados para falar sobre o assunto, Tarcísio fez o mesmo no Palácio dos Bandeirantes, em um encontro, também, com representantes da Embaixada dos EUA em Sao Paulo.

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