Calcinha laranja no Réveillon? Como passei os dias entre o ano velho e o ano novo
As dores e as alegrias das férias coletivas
Não vou reclamar. No balanço (da rede), minhas férias foram bem legais. Depois de a gente quase morrer até o fim do ano/fim do mundo, chegam as famosas férias coletivas.
Antes de abrir a primeira cerveja gelada em frente a algum tipo de água (piscina, cachoeira, mar ou tanque), temos que colocar um vestidinho vermelho (ou uma polo rosa-clara, no caso dos homens) e encarar as festas de Natal. Depois que parei de ganhar Barbies, a data foi perdendo a graça progressivamente. Hoje sou eu quem dá brinquedos: para meu filho, enteados, sobrinhos… Dói no bolso, mas a alegria deles traz a graça de volta, progressivamente.
Entre o Natal e o Ano-Novo, é aquela falta de ar: troca de presentes, luta por um horário com a manicure e a árdua busca por um macacão branco, “sexy sem ser vulgar”, para o Réveillon. E o desafio maior: fazer uma mala pequena. Será que chove? Será que esfria? Será que neva (no Brasil)?
Bora para o Ano-Novo. A decisão mais difícil está abaixo da roupa branca: a cor da calcinha ou cueca. Ouvi dizer que, segundo a numerologia e a cromoterapia, laranja é o tom da vez. Até o verde/saúde e o vermelho/amor eu acompanhei. Mas laranja é o quê? Vitamina C?
Na festa da virada, é aquela história: champanhe, lentilha, romã, 12 uvas, 7 ondas, pé direito/dois pés… Este ano teve ainda uma nova moda: não brigar nos primeiros 21 minutos do ano para não ficar fadado a conflitos pelos próximos 344 dias.
Depois de dançar e cantar “não quero dinheiro, eu só quero amar…”, caímos mortos na cama. O problema de festejar como se não houvesse amanhã é que o amanhã existe, e ele se chama dia primeiro. Nessa hora, o espumante não deixa saudades…
Os mais sortudos ainda têm uns diazinhos de férias; os menos favorecidos pela sorte têm que encarar a volta coletiva. Na ida, cada um pega a estrada em um dia: 26, 28, 30 de dezembro… Na volta, meu amigo, é todo mundo no carro lotado ao mesmo tempo, debaixo do sol. Este ano, eu tive a bênção de fazer parte do grupo com mais alguns diazinhos de folga.
Nessas férias, felizmente, mergulhei em algumas águas (doces, cloradas e salgadas). Foi demais! Comida demais, bebida demais (Coca Zero), Simone Mendes demais. Também falei demais, ri demais e tomei sol demais, o que me rendeu marquinhas difusas, graças à variedade de modelos de biquíni que levei.
Até que acabou. Confesso que não lamentei, não. Chega uma hora em que a gente quer esvaziar os saquinhos de roupa suja e deitar no nosso próprio travesseiro.
Minha volta teve alguns percalços: a clássica virose que trazemos das férias, baratas (que escaparam da dedetização do vizinho) e, é claro, o cabelo-palha. Mas tudo tem seu jeito: chá com torradas para a virose, dedetização da própria casa para devolver as baratas para o vizinho e banho de creme.
O fato é que, independentemente da água que te refrescou, da cor da sua roupa íntima ou do excesso de calorias, o importante é começar o ano com a alma descansada. E lembrar que, em 2026, os feriados vão cair em dias da semana não faz mal a ninguém.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
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