Golpe milionário em herança de fundador do grupo Unip/Objetivo é alvo de operação do MP
O Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), deflagrou uma operação para desarticular uma quadrilha suspeita de tentar aplicar um golpe de R$ 845 milhões contra o espólio do fundador do grupo Unip Objetivo, João Carlos Di Gênio.
Segundo as investigações, o grupo utilizava contratos fraudulentos para sustentar cobranças judiciais e extrajudiciais indevidas contra o inventário. A estratégia, de acordo com a promotoria, consistia em simular dívidas milionárias e induzir tanto as vítimas quanto o próprio Poder Judiciário ao erro, com o objetivo de viabilizar pagamentos ilegítimos.
A operação cumpriu nove mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão. De acordo com o Ministério Público, os suspeitos atuavam por meio de duas frentes empresariais. Uma delas envolvia a Colonizadora Planalto Paulista Ltda, enquanto a outra utilizava a empresa Fonamsp, apresentada como entidade de mediação e arbitragem, responsável por conferir aparência de legalidade às cobranças.
Ainda conforme a apuração, os contratos falsos eram posteriormente utilizados para embasar procedimentos arbitrais simulados, criando uma estrutura formal que sustentaria as supostas dívidas. A intenção era pressionar o espólio a realizar pagamentos milionários com base em documentos fraudulentos.
O Ministério Público aponta que Anani Cândido de Lara, Luíz Teixeira da Silva Júnior e Rubens Maurício Bolourinho que estariam à frente das tratativas relacionadas à Colonizadora Planalto Paulista. Já o núcleo ligado à Fonamsp seria composto por Wagner Rossi Silva, Patricia Alejandra Ormart Barreto, Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira, Camila Mariana Alejandra Piaggio Nogueira Ormat, Carlos Xavier Lopes e Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura. Todos são alvos de prisão preventiva.
As duas empresas citadas ainda não se manifestaram à coluna, mas o espaço segue aberto para atualização e respostas delas, como também as pessoas alvos da operação.
João Carlos Di Gênio faleceu em fevereiro de 2022. Desde então, o espólio, administrado pelos herdeiros, vinha sendo alvo das tentativas de cobrança consideradas indevidas pelas autoridades. As investigações seguem em andamento para apurar a extensão dos danos e possíveis desdobramentos do caso.
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David de Tarso
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