Conheça os 35 níveis de ataques hackers

Alguns são apenas tentativas de fraude simples, enquanto outros têm potencial para paralisar uma cidade inteira ou comprometer a segurança nacional

  • Por Davis Alves
  • 28/09/2025 08h00
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Freepik Hacker com máscara na frente do laptop Entender os diferentes níveis de ciberataques ajuda empresas e pessoas a priorizar esforços de proteção

No mundo cada vez mais conectado em que vivemos, ciberataques se tornaram parte da rotina de empresas, governos e até mesmo de pessoas físicas. Mas nem todo ataque tem o mesmo peso ou gera o mesmo impacto. Alguns são apenas tentativas de fraude simples, enquanto outros têm potencial para paralisar uma cidade inteira ou comprometer a segurança nacional.

Pensando nisso, vamos explorar os 35 principais tipos de ciberataques, organizados do mais crítico ao menos perigoso, explicando de forma clara como eles funcionam e quais consequências podem causar.

O topo da escala – ataques catastróficos

No nível mais alto, encontramos ataques que têm o poder de destruir dados, paralisar infraestruturas críticas e gerar prejuízos que vão muito além do financeiro.

  • Ransomware – O sequestro digital
    Esse ataque criptografa todos os dados de uma empresa e exige pagamento de resgate para liberá-los. É capaz de paralisar hospitais, indústrias e até governos, interrompendo serviços essenciais.
  • Ataques a Infraestrutura Crítica (ICS Attack)
    Voltado para sistemas que controlam energia, água, saúde e transportes. Um ataque bem-sucedido pode causar apagões em cidades inteiras ou comprometer a distribuição de água potável.
  • Ransomware de Dupla Extorsão
    Além de sequestrar os dados, os criminosos ameaçam vazá-los na internet, pressionando a vítima a pagar duas vezes: para recuperar os arquivos e para evitar a exposição pública.
  • Zero-Click Exploit – Infecção sem cliques
    O ataque ocorre sem que a vítima faça nada. Basta receber uma mensagem ou notificação para que o dispositivo seja comprometido, como já aconteceu em casos envolvendo softwares de espionagem.
  • APT (Ameaça Persistente Avançada)
    Geralmente realizado por grupos altamente qualificados, muitas vezes patrocinados por Estados, visando espionagem estratégica. O objetivo não é destruir, mas se manter invisível dentro dos sistemas por meses ou anos.
  • Zero-Day Exploit
    Explora falhas que ainda não foram descobertas pelos fabricantes de software. É como se um ladrão tivesse a chave da sua casa antes mesmo de você saber que ela foi perdida.
  • Data Exfiltration – Roubo em massa de dados
    Consiste na extração de grandes volumes de informações confidenciais, como dados de clientes, pesquisas científicas e segredos corporativos.
  • Comprometimento da Cadeia de Suprimentos (Supply Chain)
    O ataque acontece antes mesmo do produto ou serviço chegar à empresa, como um software já vindo infectado de fábrica. Assim, milhares de usuários podem ser afetados ao mesmo tempo.
  • Data Wiping – Destruição total de dados
    O invasor não rouba nada, apenas apaga tudo de forma irreversível, causando perdas incalculáveis.

Segundo Angelo Souza, Coordenador do Comitê de Segurança da APDADOS:
“Quando olhamos para os ataques mais críticos, percebemos que não se trata mais apenas de crimes digitais, mas sim de ameaças à segurança nacional. Proteger dados virou questão estratégica para empresas e governos.”

Ataques de alto risco – grande prejuízo, mas controlável

Aqui estão os ataques que causam estragos sérios, porém localizados. Ainda assim, eles podem levar uma empresa à beira do colapso se não forem tratados rapidamente.

  • Manipulação de Dados
    Alterar informações críticas, como relatórios financeiros, registros de saúde ou dados de produção, pode gerar fraudes, multas e perda de confiança.
  • Ameaça Interna (Insider Threat)
    Um funcionário ou parceiro com acesso privilegiado decide agir de forma maliciosa, seja roubando informações, sabotando sistemas ou vazando segredos.
  • Movimentação Lateral (Lateral Movement)
    Depois de invadir um sistema, o criminoso se expande silenciosamente pela rede, alcançando outros setores até dominar toda a estrutura tecnológica.
  • Ataque de Negação de Serviço (DDoS)
    Sobrecarrega servidores e sites, tornando-os inacessíveis. Grandes empresas de tecnologia e até governos já sofreram com ataques desse tipo, ficando fora do ar por horas ou dias.
  • Instalação de Malware Avançado (Loader)
    É a porta de entrada para ataques mais complexos, preparando o terreno para espionagem ou sequestro de dados.
  • Roubo de Credenciais (Credential Dumping)
    Extração em massa de senhas e acessos de dentro da rede corporativa, facilitando invasões em larga escala.
  • Elevação de Privilégios (Privilege Escalation)
    O invasor aumenta seu nível de acesso dentro do sistema até se tornar administrador, ganhando controle total sobre a rede.
  • Exploração de Sistemas Públicos (Public-Facing App Exploit)
    Ataque direto a serviços que estão expostos na internet, como sites, portais e sistemas de e-commerce.
  • Man-in-the-Middle (MITM)
    O criminoso intercepta a comunicação entre duas partes, podendo espionar ou alterar dados sigilosos, como transações bancárias.
  • SQL Injection
    Explora falhas em formulários ou sistemas web, permitindo roubar ou alterar informações em bancos de dados.

Ataques de nível médio – comuns, mas perigosos

São os mais frequentes no dia a dia. Com boas práticas de segurança, geralmente é possível prevenir ou minimizar seus efeitos.

  • Ataques via Fornecedores (Supply Chain Attack)
    A empresa é atingida indiretamente por meio de parceiros ou prestadores de serviço que já estão comprometidos.
  • Watering Hole Attack
    O criminoso infecta sites legítimos que são acessados por um grupo específico, direcionando o ataque a um público bem definido.
  • Spear Phishing
    Um tipo mais sofisticado de phishing, com mensagens personalizadas para atingir executivos ou alvos estratégicos.
  • Cross-Site Scripting (XSS)
    Permite a execução de códigos maliciosos dentro de sites, explorando a interação do usuário com a página.
  • Força Bruta (Brute Force)
    Tentativa de adivinhar senhas por meio de inúmeras combinações automáticas até encontrar a correta.
  • Phishing Tradicional
    E-mails falsos com links ou anexos maliciosos, um dos ataques mais conhecidos e ainda muito eficiente.
  • Exfiltração por Serviços Web
    Dados roubados são enviados para serviços comuns, como armazenamento em nuvem, dificultando a detecção.
  • Captura de Tela (Screen Capture)
    O invasor tira prints de telas para coletar informações confidenciais, como números de cartão ou sistemas internos.
  • Keylogging (Registro de Teclas)
    O malware registra tudo o que a vítima digita, permitindo o roubo de senhas, dados bancários e mensagens privadas.
  • Sequestro de Sessão (Session Hijacking)
    Roubo de cookies ou tokens para assumir a conta de um usuário sem precisar da senha.
  • Malvertising (Anúncios Maliciosos)
    Distribuição de malware por meio de propagandas em sites legítimos.
  • Drive-by Compromise
    Basta visitar um site comprometido para que o dispositivo seja infectado.
  • Credential Stuffing
    Uso de credenciais vazadas de outros serviços para invadir contas, aproveitando que muitas pessoas usam a mesma senha em vários lugares.
  • Password Spraying
    Testa algumas senhas comuns em um grande número de contas simultaneamente.
  • Phishing por Informação
    Enganar a vítima para que forneça dados diretamente, sem necessidade de instalar malware.
  • Typosquatting
    Criação de sites com nomes parecidos com marcas conhecidas, atraindo usuários desatentos para golpes.

Por que conhecer essa escala é importante

Entender os diferentes níveis de ciberataques ajuda empresas e pessoas a priorizar esforços de proteção. Enquanto ataques como phishing podem ser prevenidos com treinamento e atenção, ameaças como Zero-Day e Ransomware exigem monitoramento contínuo, tecnologia avançada e políticas de segurança bem estruturadas.

Para o 1° Tenente R2 Marcelo de Melo Marcon, diretor do Comitê de Segurança da APDADOS, a lição principal é clara: “A segurança digital não é mais uma questão apenas técnica. Hoje ela deve fazer parte da estratégia de negócio e da cultura organizacional. É preciso conscientizar todos os envolvidos, do funcionário ao CEO”.

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O universo digital está em constante transformação, e os ataques se tornam mais sofisticados a cada dia. Conhecer a escala de gravidade dos ciberataques não é apenas uma curiosidade, mas uma necessidade para se preparar, prevenir e reagir da forma certa. Seja você um empresário, gestor público ou usuário comum, a melhor defesa começa pelo conhecimento. Afinal, no mundo digital, estar informado é estar protegido.

Quer se aprofundar no assunto, tem alguma dúvida, comentário ou quer compartilhar sua experiência nesse tema? Escreva para mim no Instagram: @davisalvesphd.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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