JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Jornal Jovem Pan | 20h00 - 21h30
Eliseu Caetano

Governo dos EUA entra no 3º dia de paralisação parcial por impasse no orçamento

A paralisação parcial começou na madrugada de sábado (31), quando vários programas federais ficaram sem financiamento após a expiração de resoluções temporárias

Eliseu Caetano

Trump durante discurso em Davos
Trump durante discurso em Davos The White House

Os Estados Unidos estão no terceiro dia de uma paralisação parcial do governo federal, depois que o Congresso não conseguiu aprovar, a tempo, uma legislação de financiamento que manteria as agências públicas funcionando normalmente. A situação ocorre em meio a um modesto clima de tensão política, centrável em disputas sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS) e reformas na fiscalização imigratória.

A paralisação parcial começou na madrugada de sábado (31), quando vários programas federais ficaram sem financiamento após a expiração de resoluções temporárias. Isso fez com que agências federais interrompessem algumas operações e dispensassem temporariamente funcionários considerados “não essenciais”, enquanto serviços considerados críticos seguem funcionando.

Impactos imediatos e setores afetados

Entre os efeitos imediatos do shutdown parcial está o afastamento de milhares de funcionários federais, inclusive no setor de aviação. A Administração Federal de Aviação (FAA) já colocou em licença não remunerada diversos trabalhadores, e cerca de 14 000 controladores de tráfego aéreo continuam trabalhando sem pagamento até a resolução do impasse.

Além disso, agências como o Departamento do Trabalho anunciaram atrasos na divulgação de dados econômicos, incluindo a publicação do relatório mensal de empregos de janeiro, porque suas operações ficaram parcialmente suspensas pela falta de verba aprovada.

O que está travando o acordo

O problema de fundo são negociações no Congresso sobre o financiamento do DHS, órgão que supervisiona a imigração e inclui agências como o Immigration and Customs Enforcement (ICE). Após a morte de dois cidadãos americanos durante operações de fiscalização em Minneapolis, membros do Partido Democrata exigem reformas nas práticas do DHS – incluindo regras mais rígidas para mandados de busca, uso de câmeras corporais pelos agentes e remoção de máscaras faciais – como condição para apoiar o orçamento completo.

Senadores democratas e o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, pressionam por essas mudanças antes de liberar o apoio ao financiamento permanente da pasta, enquanto muitos republicanos defendem posições mais duras e pedem que o orçamento da segurança interna seja mantido sem grandes concessões.

Na sexta-feira (31), o Senado aprovou um pacote de gastos que financiará a maior parte do governo até setembro e estende por duas semanas o financiamento do DHS, para dar mais tempo às negociações sobre as reformas requisitadas. Mas como a Câmara dos Representantes estava em recesso e não votou o projeto antes do prazo, a paralisação parcial começou automaticamente.

Pressão política e próximos passos

O presidente Donald Trump tem incentivado o apoio bipartidário ao pacote de financiamento aprovado pelo Senado para encerrar o shutdown o mais rápido possível, ressaltando que não deseja prolongar a paralisação e que o acordo permitiria uma solução negociada sobre as políticas de imigração.

Por outro lado, o líder da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, enfrenta resistência dentro de seu próprio partido, com alguns republicanos exigindo a inclusão de medidas como a verificação de cidadania de eleitores ou posicionando-se contra certas reformas propostas pelos democratas, o que complica a votação do projeto na Casa baixa.

Democratas já sinalizaram que não apoiarão a medida atual sem que sejam consideradas as mudanças no DHS, tornando a negociação ainda mais complexa e aumentando a probabilidade de a paralisação parcial se estender por mais alguns dias até que um acordo mais amplo seja alcançado.

Este é o segundo shutdown parcial durante o atual mandato, apenas alguns meses após o mais longo da história dos EUA, que durou 43 dias em 2025, quando um impasse anterior sobre o orçamento federal paralisou amplamente serviços públicos e afetou centenas de milhares de trabalhadores federais.

A expectativa de muitos analistas é que, se o projeto aprovado pelo Senado for finalmente votado na Câmara e sancionado pelo presidente, o governo poderá voltar a funcionar normalmente até que novas negociações sobre o DHS sejam concluídas – ainda que isso possa exigir concessões políticas significativas de ambos os lados.

Assuntos