Preço da gasolina dispara nos EUA e atinge maior nível desde 2023

Economistas alertam que esse movimento pode reacender a inflação e reduzir o consumo, num momento delicado para a economia

  • Por Eliseu Caetano
  • 18/03/2026 08h54
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Freepik Posto de gasolina

Os motoristas nos Estados Unidos enfrentam uma forte alta no preço da gasolina, que atingiu em março de 2026 o maior nível desde 2023. O avanço pressiona o orçamento das famílias e reacende o alerta sobre os impactos na inflação e no ritmo da economia americana.

De acordo com dados recentes, o preço médio nacional já varia entre US$ 3,70 e US$ 3,79 por galão, após semanas consecutivas de aumento. Esse é o patamar mais alto desde outubro de 2023.

O principal fator por trás da disparada é a escalada de tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A instabilidade afeta diretamente o fluxo de petróleo em regiões estratégicas, como o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte da commodity.

Como consequência, o barril de petróleo voltou a ultrapassar US$ 100, pressionando os preços nas bombas em todo o país.

O aumento já é sentido no dia a dia dos consumidores. Em algumas regiões, a gasolina subiu até 80 centavos em um mês, enquanto o diesel ultrapassou US$ 5 por galão. O custo de transporte começa a impactar preços de alimentos e serviços.

Economistas alertam que esse movimento pode reacender a inflação e reduzir o consumo, num momento delicado para a economia.

Os preços variam significativamente entre os estados. Na Califórnia, já passam de US$ 5 por galão, influenciados por regras ambientais rígidas e altos impostos. Em estados como Nova York e Washington, os valores se aproximam de US$ 4, pressionados por custos logísticos. Já no Texas e na Flórida, os preços ainda são mais baixos, entre US$ 3,40 e US$ 3,70, mas também em trajetória de alta. No Centro-Oeste, os combustíveis continuam mais baratos, embora também em elevação.

O governo americano afirma que monitora a situação de perto e já anunciou medidas emergenciais, como a liberação de petróleo da Reserva Estratégica para aumentar a oferta. Também há pressão diplomática por estabilidade no Oriente Médio e contatos com grandes produtores para ampliar a produção global.

Autoridades reconhecem, no entanto, que essas ações têm efeito limitado no curto prazo. Nos bastidores, cresce a discussão sobre incentivos à produção doméstica e possíveis medidas para aliviar impostos sobre combustíveis, embora nenhuma decisão concreta tenha sido anunciada.

Analistas avaliam que, se o conflito internacional persistir ou se houver novas interrupções no fornecimento global, os preços podem continuar subindo nas próximas semanas.

Para o consumidor americano, o cenário é de incerteza e de combustível cada vez mais caro.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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