The Hives busca recrutar novos fãs em shows do My Chemical Romance
Grupo de rock sueco foi encarregado de abrir turnê sul-americana dos emos, que chegam em São Paulo nesta quinta
Um dos shows mais aguardados do ano no Brasil precisava de uma banda à altura para abrir o espetáculo. Caberá aos suecos do The Hives, com mais de 30 anos de estrada, a tarefa de iniciar as duas apresentações do My Chemical Romance no Allianz Parque, em São Paulo, nos dias 5 e 6 de fevereiro. Com grande responsabilidade, também surge grande expectativa: “O público brasileiro não deve esperar nada além do melhor de nós e nós esperamos o melhor deles”, destaca o guitarrista Nicholaus Arson, em entrevista exclusiva à Jovem Pan.
Consolidados como um dos principais nomes do garage rock internacional, o quinteto com Howlin’ Pelle Almqvist (vocal), Nicholaus Arson (guitarra), Vigilante Carlstroem (guitarra), Chris Dangerous (bateria) e The Johan and Only (baixo) traz um estilo diferente do emo do My Chemical Romance. Questionado sobre a distância no som das duas bandas, Pelle garante que tudo dará certo. “Estaremos lá para recrutar os fãs deles para a nossa causa”, diz.
Certamente, a plateia que deve lotar as duas noites no Allianz Parque também contará com fãs dos suecos, angariados ao longo dos anos. Aliás, para lembrar da primeira passagem do The Hives pelo Brasil, é necessário voltar quase 20 anos no tempo. Em setembro de 2008, o grupo que já havia ganhado destaque pelo single Hate To Say I Told You So fez três apresentações em território nacional.
Formado em 1993, o The Hives não esconde as suas ambições. Frequentemente, a banda se apresenta como grandiosa ou insuperável nas performances ao vivo. Os adjetivos podem parecer ousados, mas refletem a personalidade visceral levada aos palcos mundo afora.
A ideia fica explícita quando, ao final de cada show, a música Nobody Does It Better, interpretada por Carly Simon, é tocada nos alto-falantes. Para os roqueiros, que sempre se apoiam em um tom cômico, a ideia de que “ninguém faz melhor” não é uma crença, e sim a declaração de um fato. “Afinal de contas, você já viu alguém fazer um show do The Hives melhor que nós?”, questiona Arson.
O Brasil que o diga. De 2008 para cá, o conjunto já veio ao país em outras quatro turnês, incluindo as passagens pelo festival Lollapalooza de 2013 e Primavera Sound de 2023. A participação mais recente foi em outubro de 2024, em São Paulo, no maior show solo da banda por aqui.
Cada passagem serviu para deixar uma impressão melhor. O visual punk, com as roupas pretas e brancas, e a energia inquieta se misturam com as piadas feitas no palco e fortes riffs de guitarra. Seja pelo carisma ou pela qualidade técnica, com sete álbuns de estúdio lançados, o The Hives se mostrou capaz de conquistar não apenas o público geral, mas também outras bandas – é o caso do Arctic Monkeys, que contou com os suecos na abertura dos shows da turnê sul-americana em 2014.
“Abrir os shows para o Arctic Monkeys funcionou muito bem para nós”, recorda Pelle. “Somos uma grande banda de abertura e também um grande headliner – mas ainda não nos deixam fazer isso nesses estádios grandes. Estamos chegando lá, roubando alguns fãs do Arctic Monkeys, alguns do My Chemical Romance e misturando com outros do The Hives”, brinca o vocalista, que destaca a boa química com o público brasileiro.
Este público, porém, precisará se contentar com um setlist mais enxuto – algo em torno de 11 músicas. A maior parte do concerto é focada nos últimos dois discos, uma raridade para um grupo com tanto tempo de estrada. Mas longe de rejeitar o passado, a escolha das canções passa pela confiança nos trabalhos mais recentes.
“Nós não negamos o que já fizemos, é que temos um tempo de show reduzido. Se tivéssemos uma hora a mais nós tocaríamos músicas mais antigas. A explicação para tocarmos as mais novas, sendo uma banda que está há tanto tempo junta, é que elas são realmente muito boas e o público gosta”, explica o vocalista, em meio a gargalhadas.
O que pode parecer uma tarefa árdua para boa parte dos grupos faz parte de um método para o The Hives. “A gente vai tocando até entrar na cabeça do público”, garante o baterista Chris Dangerous.
Sendo assim, pelo menos quatro músicas devem ser do LP The Hives Forever Forever The Hives, lançado em agosto de 2025. Olhando para o futuro, Dangerous garante que o “para sempre” da banda ainda deve durar bastante tempo: “Nossas músicas gravadas vão durar para sempre, a não ser que haja uma explosão gigante. Aí nós estamos fritos.”
“Mas aí não vai mais ter gravação nenhuma, então o ‘para sempre’ perde o sentido”, complementa Pelle.
Já Arson tranquilizou os fãs que se chatearam com a falta de uma apresentação solo do grupo no Brasil – diferente da programação feita na Argentina e no México. “Nós nos preparamos para o futuro o tempo todo e vamos voltar para o nosso próprio show. Quem sabe não será em um desses estádios? Nós estamos recrutando fãs. Não sei quando vai ser, mas será dentro do campo do ‘para sempre’”, finaliza.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
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