A tentativa do STF de isolar Bolsonaro

Corte conseguiu apoios importantes de setores formadores de opinião no Congresso em sua tentativa de minar o presidente da República e tirar os ministros do Supremo do front

  • Por José Maria Trindade
  • 14/05/2022 08h00
Nelson Jr./SCO/STF - 23/09/2021 Luiz Fux e Edson Fachin, ambos de toga e máscara, conversam ao lado de bandeira do Brasil no STF Luiz Fux, presidente do STF, conversa com seu colega de Corte Edson Fachin, que preside o TSE

O Supremo Tribunal Federall (STF) tenta isolar politicamente o presidente Jair Bolsonaro e consegue apoios importantes de setores formadores de opinião no Congresso. Antes da reunião com o presidente da Corte, Luiz Fux, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, encontrou-se com líderes informais e recebeu apoio. Houve reuniões com integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), inclusive um reservado com o presidente, ministro Edson Fachin. O assunto é sempre a “ameaça” ao processo eleitoral. Houve um entendimento de que, a cada crítica de Bolsonaro ou a ministros, haverá sempre uma resposta imediata na área política, poupando deste front os ministros do Supremo.

Sempre houve conversas entre grupos de deputados e representantes das Forças Armadas. Agora a situação é diferente, chegou nos altos escalões e já está explícita. Recentemente, num encontro entre líderes políticos, o presidente do Senado e ministros do STF, Pacheco garantiu que “não deixaremos o Supremo isolado nem exposto”. A estratégia é mesmo poupar os integrantes da Corte de um debate político aberto. Fux diz que “os ministros não foram talhados para o embate político”. Não foram mesmo, mas entraram nesta disputa. 

Fachin se declara “comandante-em-chefe das forças desarmadas”. Um claro chamado para o embate direto que fez Bolsonaro defender os militares e a dizer, com todas as letras, que não há um trabalho em curso para quebrar o sistema democrático. O barulho está muito alto e vem exatamente dos setores políticos. Estamos vivendo a história das bruxas. Ninguém acredita, mas todos acham que, com certeza, elas andam por aí nas suas vassouras voadoras. De tanto falar, de tanto espantar, de tanto combater e de tanto confirmar, os líderes políticos que espantam um hipotético golpe podem estar, na verdade, alimentando um — ou criando um monstro que só existe se alimentado com o sangue da política: o debate. 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.