Celso Sabino numa encruzilhada: União Brasil pressiona ministro e turismo vira carta na manga
Setor bateu recorde no primeiro semestre, com faturamento de R$ 108 bilhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (4) pela FecomercioSP
Como adiantamos ontem na coluna, a permanência de Celso Sabino no governo está numa situação delicada. O União Brasil, partido do ministro do Turismo, já discute sua saída e impôs um ultimato. O recado veio direto de ACM Neto, durante entrevista à Jovem Pan, no programa Na Real, deixando claro que Sabino precisa provar força política para continuar no cargo. É justamente nesse cenário que os números do setor aparecem como trunfo. O turismo nacional bateu recorde no primeiro semestre, com faturamento de R$ 108 bilhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (4) pela FecomercioSP. O resultado representa um crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2024, puxado pelo alojamento (alta de 12,7%, R$ 13,6 bi) e pelo transporte aéreo (alta de 10,6%, R$ 27,3 bi). Junho registrou R$ 17 bilhões, o maior faturamento da história para o mês. Para o setor, trata-se de um “momento espetacular”, mesmo diante da desaceleração da economia.
Sabino tenta usar esses resultados como escudo político: “O turismo brasileiro deixou de ser promessa e virou realidade. Os números comprovam a força do setor como motor da economia, gerando emprego e renda em todo o País. O turismo mantém ritmo próprio. Esse é o compromisso que temos com o Brasil”, disse o ministro Celso Sabino, com exclusividade para coluna. Fontes próximas ao governo afirmam que Celso Sabino deve permanecer no cargo pelo menos até novembro, mês em que acontece a COP30, em Belém. Além da relevância do evento para o Brasil, o ministro também é presidente do Conselho Executivo da ONU Turismo. A escolha do novo presidente ocorrerá em novembro, em Riad, na Arábia Saudita.
No fim, a matemática de Sabino é simples: se os números históricos do turismo forem suficientes para convencer o União Brasil e o Planalto de que ele ainda é peça relevante, ele sobrevive. Caso contrário, mesmo com o setor aquecido, o ministro tem prazo de validade no jogo político.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.



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