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Patrícia Costa

Estiagem prolongada ameaça atrasar chegada das chuvas em São Paulo

Falta de precipitação aumenta o risco de queimadas, pressiona o abastecimento e expõe a vulnerabilidade climática do Sudeste

Patricia Costa

Clima seco e poluição do ar em São Paulo
Clima seco e poluição do ar em São Paulo FÁBIO VIEIRA/FOTORUA/ESTADÃO CONTEÚDO

 

São Paulo vive uma estiagem que já dura mais do que o esperado. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, o início do período chuvoso pode atrasar entre cinco e dez dias — o suficiente para agravar o ressecamento da vegetação, aumentar o risco de incêndios e pressionar os sistemas de abastecimento. Com a umidade relativa do ar abaixo de 30% em várias regiões do estado, a Cetesb prorrogou até o fim de outubro a proibição de queimadas controladas. Mesmo assim, o fogo se espalha com facilidade no solo seco e com ventos mais quentes. A combinação de calor extremo e baixa umidade cria o cenário perfeito para a propagação de incêndios urbanos e florestais. A estiagem também compromete o armazenamento de água nos reservatórios. Em setembro, o nível médio caiu quase 10% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Sabesp. Com menos chuva e maior evaporação, a empresa reduziu a pressão da rede durante a madrugada para evitar desperdício e garantir o abastecimento. Os efeitos da seca não ficam restritos às cidades. Na zona rural, a falta de chuvas já ameaça o plantio da safra de verão. Produtores de milho e soja relatam atraso no preparo do solo, o que pode reduzir o rendimento das lavouras.

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Meteorologistas apontam dois fatores principais para essa estiagem prolongada: o El Niño, que altera os ventos e afasta as frentes frias, e o aquecimento global, que vem ampliando o número de dias secos e elevando a temperatura média no estado. Esse novo padrão climático exige planejamento e adaptação. São Paulo precisa ampliar o reuso de água, recuperar nascentes e rever o modelo de ocupação urbana, que impermeabiliza o solo e agrava a crise hídrica. As chuvas podem atrasar apenas alguns dias, mas a resposta do poder público não pode esperar. Cada período seco prolongado é um alerta de que o clima do Sudeste está mudando — e o país ainda reage como se fosse exceção, quando já é regra.