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Patrícia Costa

Tempestades mais frequentes expõem fragilidade das redes elétricas nas cidades

Mudanças climáticas intensificam chuvas e ventos; especialistas defendem adaptação urgente da infraestrutura para evitar apagões

Patricia Costa

Forte chuva que atingiu Belo Horizonte na madrugada de sábado (13) deixou quem mora em bairros da Região da Pampulha sem energia elétrica
Forte chuva que atingiu Belo Horizonte na madrugada de sábado (13) deixou quem mora em bairros da Região da Pampulha sem energia elétrica DIEGO TAVARES/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

Mais de 44 mil imóveis estão sem energia elétrica na Grande São Paulo na manhã de hoje após novas chuvas desde ontem. Os temporais intensos que vêm atingindo grandes cidades brasileiras não são apenas episódios isolados de mau tempo. Eles fazem parte de um padrão climático que tende a se repetir com mais frequência nas próximas décadas, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O aumento da temperatura média do planeta altera a dinâmica da atmosfera e cria condições favoráveis para chuvas mais fortes e ventos mais intensos. A explicação é física. Um ar mais quente consegue reter mais vapor d’água — cerca de 7% a mais para cada grau de aquecimento. Esse excesso de umidade funciona como combustível para tempestades, elevando o risco de eventos extremos em áreas urbanas densamente povoadas. O problema é que a infraestrutura elétrica das cidades brasileiras não foi projetada para esse novo cenário. Redes aéreas antigas, expostas a ventos e à queda de árvores, acabam sendo um dos pontos mais vulneráveis durante temporais. O resultado são apagões recorrentes, prejuízos econômicos e impactos diretos sobre serviços essenciais, como hospitais, transporte e abastecimento de água.Reduzir esse risco exige planejamento e adaptação. Especialistas apontam que o primeiro passo é mapear os trechos mais afetados por quedas de energia e priorizar áreas estratégicas. Corredores de serviços essenciais precisam de redes mais resilientes, capazes de responder rapidamente após eventos extremos.

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Outro ponto central é a gestão da arborização urbana. Árvores são fundamentais para o conforto térmico e a qualidade ambiental das cidades, mas precisam ser planejadas. A escolha de espécies adequadas e a realização de podas técnicas periódicas reduzem o conflito entre copas e fiação elétrica, sem recorrer ao corte indiscriminado. Em regiões mais vulneráveis, a modernização da rede é inevitável. Cabos mais resistentes, sistemas automatizados de religamento e, em trechos estratégicos, a instalação de fiação subterrânea ajudam a reduzir o tempo de interrupção após tempestades. Países e cidades que investiram nessas soluções conseguiram diminuir significativamente o número de apagões associados a eventos climáticos extremos. A frequência maior de temporais não é uma hipótese distante, mas uma realidade já em curso. A questão central deixou de ser se as tempestades vão acontecer. O desafio agora é saber se as cidades estão se adaptando com a rapidez necessária para manter serviços básicos funcionando em um clima cada vez mais instável.

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