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Thiago Uberreich

A mística da camisa dez que consagrou Pelé surgiu na Copa de 1958 e por um acaso

Um jornalista uruguaio foi quem relacionou os números aos nomes dos jogadores brasileiros

Thiago Uberreich

Wikimedia Commons
Pelé dribla suecos na final da Copa do Mundo de 1958 Wikimedia Commons

Gostaria de destacar na coluna de hoje mais uma história muito lembrada da Copa de 1958, em relação ao número dos jogadores. O mundial da Suécia se aproximava, a expectativa era grande, claro, mas ainda havia uma grande incógnita a rondar o selecionado brasileiro: Pelé, de apenas 17 anos. O jogador tinha se machucado em um amistoso contra o Corinthians, no Pacaembu, em São Paulo. Ele viajou para a Europa, é verdade, mas corria o risco de ser cortado. 

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A maior promessa do futebol brasileiro àquela altura estava garantida ou não no mundial? Décadas depois, em entrevista à Jovem Pan, Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação brasileira, lembrou do teste decisivo que confirmou o futuro Rei do futebol na Copa: “Quatro horas da tarde, a inscrição acabava meia-noite. O Pelé ainda se ressentia de dores da trombada que tinha levado em São Paulo. Chamei o Hilton Gosling [médico] e disse assim: ‘Hilton, nós temos até meia noite para resolver’. Estávamos na Itália [para amistosos]. O Pelé vai para a Suécia ou não vai? O Hilton, que era espetacular, disse: ‘se ele aguentar o teste que eu vou fazer com ele, ele vai!’. Se não, nós imediatamente chamamos o Almir, que estava na Europa naquela ocasião. O Mário Américo trouxe uma bacia com água fervendo, mas fervendo que não dava para colocar o dedo. O Hilton disse assim para o Pelé: ‘Pelé, você é homem? É! Então coloca o pé nessa bacia para eu ver se você vai para a Copa do Mundo’. Não teve dúvida. O moleque pegou na perna e colocou até o fim”. 

Pelé na Copa do Mundo de 1958, aos 17 anos

Pelé participou de sua primeira Copa do Mundo em 1958, aos 17 anos (Fifa)

Quando Pelé foi convocado para a Copa, a imprensa taxou Paulo Machado de Carvalho de louco por apostar em um menino de 17 anos. A atitude de levá-lo ainda não plenamente recuperado também rendeu muita discussão.  Com a definição sobre Pelé, a CBD enviou à FIFA a relação definitiva dos vinte e dois jogadores que iriam disputar a competição. No entanto, a Confederação se esqueceu de relacionar os números das camisas dos atletas.

O uruguaio Lorenzo Villizio, representante sul-americano no Comitê Organizador da Copa, preencheu aleatoriamente os números, pois não conhecia todos os jogadores e muito menos a posição de cada um. Por isso, vemos nos filmes das partidas o goleiro Gylmar com a camisa “3”, Garrincha com a “11” e Zagallo com a “7”, que não correspondiam às suas posições. Pelo menos Pelé ficou, corretamente, com a camisa 10. Foi aí que nasceu a mística de que o craque do time sempre estaria com o número dez.

Veja a lista:

1 – Castilho; 2 – Bellini; 3 – Gylmar; 4 – Djalma Santos; 5 – Dino Sani; 6 – Didi; 7 – Zagallo; 8 – Oreco; 9 – Zózimo; 10 – Pelé; 11 – Garrincha; 12 – Nilton Santos; 13 – Moacir; 14 – De Sordi; 15 – Orlando; 16 – Mauro; 17 – Joel; 18 – Mazzola; 19 – Zito; 20 – Vavá; 21 – Dida e 22 – Pepe.

Ouça agora a íntegra da final da Copa de 1958, entre Brasil e Suécia. A transmissão é da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Narração de Jorge Cury e Oswaldo Moreira: