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Thiago Uberreich

Derrota brasileira para Bolívia em 1993 gerou ‘pacto’ pela conquista do tetra

O primeiro resultado negativo da seleção em Eliminatórias provocou críticas da imprensa e da torcida

Thiago Uberreich

Bebeto parte com a bola dominada em jogo contra a Bolívia, no Recife, pelas Eliminatóriaa da Copa do Mundo de 1994
Eliminatórias para a Copa do Mundo LUIZ PRADO/ESTADÃO CONTEÚDO

A última partida da seleção pelas Eliminatórias da Copa de 2026 será contra a Bolívia, fora de casa, no dia 9 de setembro. No “Memória da Pan”, volto a 1993, quando a fase de classificação para o Mundial ainda não era disputada no formato de pontos corridos. 

A equipe comandada por Carlos Alberto Parreira estava no Grupo B, formado por Brasil, Uruguai, Bolívia, Equador e Venezuela. O time decepcionou na estreia ao empatar sem gols com os equatorianos. No segundo jogo, em La Paz, o Brasil sofreu a primeira derrota na história das Eliminatórias, invencibilidade que já durava quarenta anos. Antes da partida, a imprensa só falava da altitude da capital boliviana e alertava que os jogadores poderiam não ter fôlego para acompanhar a rapidez dos donos da casa.

Campanha brasileira nas Eliminatórias de 1993

  • 18.07.1993 – Brasil 0 x 0 Equador – Guayaquil
  • 25.07.1993 – Brasil 0 x 2 Bolívia – La Paz
  • 01.08.1993 – Brasil 5 x 1 Venezuela – San Cristóbal
  • 15.08.1993 – Brasil 1 x 1 Uruguai – Montevidéu
  • 22.08.1993 – Brasil 2 x 0 Equador – São Paulo (SP)
  • 29.08.1993 – Brasil 6 x 0 Bolívia – Recife (PE)
  • 05.09.1993 – Brasil 4 x 0 Venezuela – Belo Horizonte (MG)
  • 19.09.1993 – Brasil 2 x 0 Uruguai – Rio de Janeiro (RJ)

A seleção entrou em campo com Taffarel; Cafu, Márcio Santos, Válber e Leonardo; Mauro Silva, Luís Henrique (Jorginho), Zinho e Raí (Palhinha); Bebeto e Müller. O goleiro brasileiro defendeu um pênalti e o jogo continuou empatado até os 43 minutos do segundo tempo, quando Etcheverry cruzou rasteiro, da esquerda, Taffarel tentou fazer a defesa, mas a bola bateu no calcanhar dele e entrou. O camisa 1 do Brasil foi execrado por causa da jogada. Aos 44 minutos, Peña invadiu a área e marcou o segundo gol. 

A derrota por 2 a 0 representou um dos momentos mais difíceis da seleção na caminhada rumo ao tetra: um prato cheio para a imprensa atacar Parreira, Zagallo, a comissão técnica, a CBF e jogadores como Careca e Zinho. Cerca de um mês depois, as duas seleções voltaram a se enfrentar, agora em Recife. 

O zagueiro Ricardo Rocha, nascido em Pernambuco, propôs aos jogadores para que entrassem em campo de mãos dadas: “Em 1983 eu jogava pelo Santa Cruz, ainda jovem, e a gente foi campeão [estadual]. Era o time mais fraco; Sport e Náutico eram melhores. Nós entramos de mãos dadas na final contra o Náutico. Aconteceu a mesma coisa quando eu pensei na gente jogando no mesmo estádio, dez anos depois, em 1993. Eu falei: ‘Vamos dar as mãos, vamos com tudo e vamos em frente em busca dessa vitória’”

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Os atletas tentavam mostrar união e o fortalecimento do grupo para enfrentar os ataques da imprensa e da torcida. O Brasil arrasou a Bolívia: 6 a 0. Já no duelo contra o Uruguai, no Maracanã, a dupla Parreira e Zagallo se curvou a Romário. Convocado em cima da hora, ele fez os dois gols e garantiu a classificação para o mundial dos Estados Unidos. 

Foi assim, a partir do jogo contra a Bolívia, até a finalíssima diante da Itália, já na Copa, em 17 de julho de 1994, que os jogadores, de mãos dadas, conquistaram o título que não vinha desde 1970, no México. 

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