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Thiago Uberreich

Infância de Pelé em Bauru ajudou a ‘moldar’ o grande jogador que ele foi

No mês de nascimento do Rei, é sempre importante recontar histórias marcantes

Thiago Uberreich

Foto da infância de Pelé publicada na conta do Rei no Instagram
c0ced67f-eb7e-45c7-b48f-acbfea1f9c9a Reprodução/Instagram/@pele

Hoje é 21 de outubro, dia que passou a fazer parte de uma controvérsia envolvendo Pelé. A família do Rei e o próprio atleta sempre comemoraram o aniversário dele em 23 de outubro. Em 2019, o cartório onde o eterno camisa 10 foi registrado, em Três Corações, Minas Gerais, indicou que na certidão original aparecia 21 de outubro de 1940. O documento também traz o nome “Edison”, grafado com a letra “i”, ao contrário de “Edson”, sempre utilizado por ele. 

Nascido no dia 21 ou 23 e sendo Edson ou Edison, Pelé nunca vai sair do imaginário dos fãs de futebol. No livro “De Edson a Pelé”, de Luiz Carlos Cordeiro, lançado em 1997 (Editora DBA), o autor mergulha em histórias pouco conhecidas da infância do futuro Rei. “(…) Exatamente no dia 15 de setembro de 1945, chegavam em Bauru João Ramos do Nascimento, o Dondinho, contratado pelo Lusitana F. C. (que mais tarde viria a ser o Bauru Atlético Clube), com sua esposa, dona Celeste, a mãe, dona Ambrozina, o cunhado, Jorge Arantes, e os filhos, Maria Lúcia, com oito meses, Jair, o Zoca, com dois anos, e Edson, o Dico, com quatro anos, que viria a ser conhecido mundialmente como Pelé. (…) No começo moraram no Hotel da Estação, que ficava no início da avenida Rodrigues Alves, esquina com a Alfredo Ruiz. Logo depois mudaram-se para a rua Rubens Arruda, nº 3-86, casa alugada, de parede-meia com a família Barone, avós de Baroninho, que nos anos 80 jogou no Noroeste, no Palmeiras e foi campeão mundial pelo Flamengo, em Tóquio. O tio Jorge, que sempre morou com a irmã, Celeste, e com o cunhado, Dondinho, ajudou a criar Pelé, a quem sempre chamou de Dico, como também era tratado.”

Pelé chegou a Bauru um mês antes de completar cinco anos. Imagine uma criança como ele, que tinha o futebol nas veias, jogar bola todos os dias nos terrenos baldios da cidade do interior paulista, como se estivesse em um treino ininterrupto de habilidade com qualquer tipo de bola por anos e anos. O que também fazia toda a diferença era a supervisão do pai, um bom jogador, mas que teve de abandonar a carreira por causa dos problemas físicos. Dondinho fazia o filho chutar com as duas pernas e não ter medo de cabecear. Foi a melhor “faculdade” que alguém poderia ter. Pelé também era muito inteligente, raciocinava rápido com a bola nos pés e tinha uma visão de “grande angular” (comprovada pela ciência) em que ele conseguia enxergar mais do que os adversários. 

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Edson Arantes do Nascimento era um atleta na essência da palavra: acordava cedo, treinava, não bebia e se dedicava ao máximo ao futebol. O físico avantajado também garantia a ele uma grande vantagem, principalmente sobre os marcadores. 

Volto a disponibilizar aqui um disco com o depoimento do atleta ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. 

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