Paulo Roberto Falcão renovou a seleção após fiasco na Copa de 1990
O ex-jogador e técnico deu chance a atletas que nunca tinham vestido a camisa amarela e que foram tetracampeões
Depois da eliminação brasileira para a Argentina na Copa de 1990, na Itália, a CBF demitiu o técnico Sebastião Lazaroni. Em 16 de agosto daquele ano, a Confederação confirmou o nome do novo treinador. O ex-jogador Paulo Roberto Falcão aceitou o desafio. Aos 36 anos, ele era o mais jovem a assumir o comando da equipe nacional. O Jornal dos Sports trazia em manchete: “Falcão é o nosso supertreinador”.
O nome dele já era especulado e a imprensa não perdeu a chance de questioná-lo sobre a falta de experiência como técnico. O ex-atleta disparou: “Podem me chamar de inexperiente, jamais de burro”. Fino, elegante e educado, Falcão marcou época no Internacional, de Porto Alegre, e na Roma, quando recebeu o apelido de “Rei de Roma”. Ele não tinha experiência, é verdade, mas sempre foi muito transparente e humilde para aprender.
Paulo Roberto Falcão não conseguiu completar nem um ano à frente da seleção brasileira. Ele não suportou a pressão, questionamentos, ataques e o mau desempenho da equipe em amistosos e na Copa América de 1991. Apesar da breve passagem, o treinador deve ser exaltado pelas experiências que fez na seleção, dando oportunidade a novos jogadores, como Cafu, que jogaria as finais dos três mundiais seguintes, sendo o capitão do pentacampeonato em 2002.
Falcão deixou o cargo em 20 de agosto de 1991, depois do vice-campeonato na Copa América, disputada no Chile. Ao fazer um balanço sobre a experiência na seleção, o ex-atleta sempre adotou a modéstia sobre o peso da renovação que ele comandou para a conquista do tetra: “Eu não saberia te dimensionar o tamanho ou o peso disso, mas eu fiquei muito feliz de ver, depois de 1994, alguns jogadores que eu dei chance serem campeões do mundo com Parreira. Eu gostei muito que o Parreira reconheceu que o trabalho feito foi de laboratório.
Falcão citou atletas como Mauro Silva, Cafu e Leonardo. Aliás, Mauro Silva rasgou elogios: “Falcão fez uma renovação muito intensa, muito profunda, tanto que talvez a renovação tenha sido tão intensa que ele não conseguiu continuar no cargo”. O ex-jogador estava no Bragantino quando foi convocado pela primeira vez. O próprio lateral Cafu faz questão de destacar: “De 90 para 94, a seleção foi muito criticada. O Falcão fez certo ao mesclar jogadores experientes com os mais novos, e eu acho que isso fez com que nós tivéssemos uma oportunidade. Pena que o professor Falcão não teve um tempo maior na seleção brasileira”.
O sucessor de Falcão foi Carlos Alberto Parreira, técnico tetracampeão em 1994. O treinador sempre reconheceu o trabalho feito pelo antecessor: “Ele deixou um legado, deixou um trabalho. O Mauro Silva, por exemplo, é um jogador que o Falcão investiu. Eu gostava dele e, por acaso, tinha trabalhado com ele no Bragantino. É claro que ele deixou um legado que a gente aproveitou”. Em 25 de setembro de 1991, Parreira aceitou o comando da seleção brasileira e exigiu que Mário Jorge Lobo Zagallo estivesse ao lado dele. Paulo Roberto Falcão teve um papel importante no processo. Depois de críticas, desconfianças e turbulências, o título conquistado nos Estados Unidos tirou o Brasil de uma incômoda fila de 24 anos.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
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