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Thiago Uberreich

Pelé viveu o auge da carreira em 1970, quando a seleção chegou ao tri

O camisa 10 se dedicou como ninguém para jogar a última Copa da vida dele

Thiago Uberreich

Pelé comemora gol pela Seleção Brasileira contra a Checoslováquia com um soco no ar, gesto que criou logo no início da carreira
Pelé DOMICIO PINHEIRO/ESTADÃO CONTEÚDO

Neste 23 de outubro, quando o mundo reverencia o Rei Pelé, separei mais curiosidades e histórias sobre o maior atleta de todos os tempos e também da conquista da Copa de 1970, no México. 

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Depois da vitória sobre os ingleses, na segunda partida da seleção, fotógrafos que estavam no gramado do Estádio Jalisco arrumaram um troféu e começaram pedir para que os atletas brasileiros erguessem a tal da taça. A ideia era fazer uma foto para publicar nos jornais do dia seguinte. Pelé foi taxativo: “Nós ainda não ganhamos esse campeonato e nem estamos classificados. Levantar troféu só no fim da Copa, se conseguirmos chegar até lá”. Relato feito pela Veja

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A imprensa mundial registrou a visita de Bobby Moore e Bobby Charlton à concentração do Brasil, antes do jogo contra a Romênia (duelo seguinte ao diante da Inglaterra). De acordo com a Veja, os jornalistas especularam que os dois foram pedir aos brasileiros para que não facilitassem a partida, já que, em caso de vitória romena, a Inglaterra corria o risco de ficar de fora das quartas de final. Oficialmente, Bobby Moore foi pedir para que Pelé emprestasse a bola do gol mil, marcado no ano anterior, para uma exposição. 

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Em 1970, o mundo vivia a Guerra Fria e o “fantasma comunista” ainda rondava o imaginário das pessoas. O termo “CCCP”, abreviatura das palavras em russo de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, o equivalente a URSS, era estampado nos uniformes das equipes do país que disputavam competições, como Olimpíadas e Copa. O historiador Eduardo José Afonso, da Unesp, que tinha 13 anos em 1970, recorda que os garotos sabiam na ponta da língua o que queria dizer “CCCP”: “Cuidado com o crioulo Pelé“. Vale lembrar que eram outros tempos e a imprensa, principalmente, costumava a se referir ao Rei pela cor da Pelé. Hoje, algo inaceitável. 

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Em 2002, surgiu uma polêmica em torno do uniforme usado por Pelé na decisão da Copa. A casa de leilões britânica Christie’s anunciou que venderia a 10 que Pelé vestiu no jogo contra a Itália. Marcelo Chirol, filho do preparador físico da seleção, Admildo Chirol, anunciou, no entanto, que a verdadeira camisa estava com ele. Mas, o mistério foi desfeito: a camisa leiloada foi a obtida pelo jogador italiano Rosato depois do jogo. Quem revê a partida, observa que Rosato corre na direção de Pelé assim que o árbitro encerra o duelo. Admildo Chirol ficou com a camisa usada por Pelé no primeiro tempo e o técnico Zagallo guardou o uniforme que o Rei usou na cerimônia de entrega da taça. Ou seja, Pelé usou três camisas na final da Copa de 1970. 

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Algumas entrevistas feitas por Walter Abrahão e Rui Porto, da TV Tupi, na concentração brasileira, em Guadalajara, sobreviveram ao tempo e estão disponíveis no site da Cinemateca Brasileira. As conversas iam além do futebol: 

Rui Porto: “Eu perguntei para o Pelé se ele acha que o próximo filho dele será homem, e ele disse que não acredita”.

Pelé: “Eu não acredito porque lá daquele lado só dá mulher. As minhas cunhadas, os parentes lá só têm quase meninas”.

Rui Porto: “Já tem nome, Pelé?”. 

Pelé: “Não tem nome ainda certo, mas logo que a gente chegar lá, vão faltar dois meses para o nascimento da criança e aí vamos entrar em acordo, vamos ver se acertamos o nome”.

A mulher de Pelé, Rose, estava grávida do segundo filho do casal. Em agosto, dois meses depois da decisão da Copa, nasceu Edson Cholbi Nascimento, o Edinho, ex-goleiro do Santos. Rose e Pelé já tinham Kelly Cristina do Nascimento.

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O jornalista Teixeira Heizer descreveu o clima no estádio, pouco antes do início da partida contra a Itália, na Cidade do México: “Às 14 horas, o estádio Azteca já estava com sua capacidade esgotada. Números oficiais: 107 mil torcedores, mas especula-se que, no mínimo, 115 mil se apertavam pelas boas acomodações da bela praça de esportes mexicana. No ônibus, Pelé trincava os dentes. Não disse a ninguém, mas admitiu que esse deveria ser seu último jogo de Copa do Mundo.”

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Um filme passou na cabeça de Pelé naquele momento e foi inevitável uma descarga de emoção. O Rei do Futebol, prestes a ser o primeiro tricampeão como jogador, chorou como uma criança, mas baixou a cabeça, dentro do ônibus, para que os companheiros não percebessem. Ele não era mais o garoto de 17 anos que chorou copiosamente nos ombros do goleiro Gylmar, em 1958. Agora, aos 29 anos, Pelé queria mostrar sobriedade e liderança em relação aos jogadores mais novos. O Rei abriu o placar com um gol de cabeça, como o pai, Dondinho, o ensinou, quando o eterno camisa 10 do Santos ainda era garoto, em Bauru.

Viva o Rei!

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