Último título mundial da seleção, em 2002, mostra que a Copa é momento
Depois de uma preparação turbulenta, a equipe de Felipão ganhou todos os jogos na competição
A torcida já ouviu a tese de que quando a seleção chega desacreditada na Copa, são grandes as chances da equipe surpreender, como em 1958, na Suécia, e em 1970, no México. O roteiro foi o mesmo nas últimas duas conquistas, em 1994, nos Estados Unidos, e em 2002, no Japão e na Coreia do Sul.
Depois da derrota na final de 1998 para a França, o futebol do país entrou em um período de grande turbulência, com trocas de técnicos, derrotas marcantes, dúvidas sobre a recuperação física de Ronaldo Fenômeno e até CPIs no Congresso Nacional para investigar irregularidades no esporte. Luxemburgo e Leão treinaram o Brasil até a chegada de Luiz Felipe Scolari, em 12 de junho de 2001, a menos de um ano da estreia na Ásia.
Cerca de um mês depois de ser contratado pela CBF, Felipão comandou a equipe na Copa América, na Colômbia. Alegando a necessidade de uma cirurgia no olho, Romário pediu dispensa e não jogou o torneio. O problema é que ele não passou por nenhuma operação e foi atuar em amistosos pelo Vasco. A atitude irritou Scolari, que nunca mais o convocou, apesar da pressão da torcida e até do então presidente Fernando Henrique Cardoso.
A seleção estreou com uma derrota para o México. Era a sexta partida seguida sem vitória, em uma das piores sequências de maus resultados da história. O técnico brasileiro aproveitava para fazer testes e dizia que poderia utilizar 85% do elenco convocado para a Copa América para o mundial do ano seguinte. Era um recado direto a jogadores como Rivaldo, Antônio Carlos, Mauro Silva e Élber.
A equipe se recuperou na competição ao vencer o Peru e, depois, garantiu o primeiro lugar na chave ao derrotar o Paraguai, de virada. Contra Honduras, nem o torcedor mais pessimista poderia imaginar que a seleção seria desclassificada. O Brasil sofreu o primeiro gol aos 12 minutos da etapa final, em um lance contra de Belletti, e Martínez ampliou aos 49 minutos, em uma das maiores zebras que já atravessaram o caminho da camisa amarela. A derrota para uma equipe sem expressão no futebol foi o momento mais turbulento da preparação para a Copa de 2002. Os jornais classificaram a atuação da equipe como medíocre e previam que o resultado iria aprofundar a crise no futebol brasileiro. Scolari, suspenso, acompanhou a partida em uma cabine de rádio no estádio em Manizales. No intervalo, dirigiu-se aos vestiários e, visivelmente nervoso, xingou um repórter que o abordou.
A turbulência prosseguiu nas Eliminatórias, mas o Brasil conseguiu a classificação em novembro, ao vencer a Venezuela por 3 a 0, com destaque para Luizão. Apesar de carimbar o passaporte para a Copa, a falta de um time base ainda atormentava o técnico brasileiro. Pelo menos, depois de mais de dois anos de luta contra as graves contusões no joelho, Ronaldo Fenômeno estava à disposição e iria crescer muito de produção até o mundial e na própria competição.
A superação pessoal do camisa nove, uma das mais impressionantes da história, foi coroada com a artilharia da Copa, com oito gols, sendo dois na histórica final contra a Alemanha, em Yokohama, no Japão, em 30 de junho de 2002. Na campanha do penta, a seleção venceu os sete jogos, uma prova de que futebol é momento.
Que essa história deixe a torcida brasileira otimista para a Copa de 2026.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
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