Paulistão: os grandes choram e os azarões mordem

Times como Novorizontino, Portuguesa, Mirassol e até o Red Bull Bragantino têm surpreendido

  • Por Wanderley Nogueira
  • 25/01/2026 16h06
  • BlueSky
DOUGLAS RIBEIRO/AGÊNCIA F8/ESTADÃO CONTEÚDO Mirassol SP - FUTEBOL/PAULISTÃO/MIRASSOL X SÃO PAULO - ESPORTES - Jogadores do Mirassol comemoram gol contra marcado por Alan Franco durante partida válida pela primeira rodada do Campeonato Paulista realizada no Estádio José Maria Campos Maia, em Mirassol (SP), neste domingo, 11 de janeiro de 2026. 11/01/2026 - Foto: DOUGLAS RIBEIRO/AGÊNCIA F8/ESTADÃO CONTEÚDO

O Campeonato Paulista sempre foi palco de surpresas memoráveis, e esta temporada não está sendo diferente. Os grandes — Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos — estão sofrendo mais do que o esperado diante de times considerados “menores”. Mesmo com orçamentos inflados e elencos recheados de estrelas, as desculpas de calendário apertado ou falta de preparação soam como um chororô desnecessário.

Times como Novorizontino, Portuguesa, Mirassol e até o Red Bull Bragantino têm surpreendido. E isso não é exatamente uma novidade no Paulistão: o torneio sempre valorizou as zebras, aquelas vitórias improváveis que dão emoção e imprevisibilidade.

Quando o assunto é orçamento, a diferença é gritante. Os quatro grandes recebem cerca de R$ 35 a 44 milhões só em cotas de TV pela participação no torneio (valores que variaram entre 2025 e 2026, com ajustes recentes). Enquanto isso:

  • Red Bull Bragantino e Mirassol ficam na faixa de R$ 10 a 11 milhões;
  • Os demais times menores giram entre R$ 6 a 7 milhões (como Portuguesa, Novorizontino e outros).

Isso sem contar as disparidades em salários, patrocínios e receitas totais anuais. É um abismo que separa os gigantes dos azarões.

Com tanto dinheiro, os grandes deveriam ter elencos profundos o suficiente para rodar reservas, manter o ritmo e dominar os jogos sem sofrimento. Mas a realidade em campo tem sido outra.

O regulamento atual, com fase de grupos e mata-mata, aumenta a pressão sobre todos. Os times menores se preparam o ano inteiro focados no Estadual — é a chance de brilhar, de ganhar visibilidade e renda extra. Já os grandes dividem o foco com Brasileirão, Libertadores, Copa do Brasil e até Mundial de Clubes. Isso equaliza um pouco as forças no gramado: motivação, tática e entrosamento contam mais do que o tamanho da conta bancária.

Resultado?

O torneio fica mais imprevisível, as zebras aparecem com frequência e o futebol ganha em emoção.

Com investimentos tão altos, os gigantes têm obrigação de performar melhor. Não dá para aceitar tropeços constantes como “parte do jogo”. Enquanto isso, os pequenos vivem seu momento Rocky Balboa: enfrentam os “Apollos” campeões e, contra todas as expectativas, mordem com força.No

Paulistão atual, os grandes choram e os azarões mordem. É o charme da competição: dinheiro compra elenco, mas não garante vitória. A paixão, a estratégia e a garra ainda decidem.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

  • BlueSky
  • Tags:

Comentários

Conteúdo para assinantes. Assine JP Premium.