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Política

Mendonça autoriza PF a investigar Lulinha sobre suposto tráfico de influência

A corporação quer apurar eventual atuação do empresário a favor de empresa ligada ao 'Careca do INSS' para viabilizar comercialização de cannabis medicial em programas vinculadas ao Ministério da Saúde

Júlia Mano

Lulinha, Fábio Luis Lula da Silva
Lulinha, Fábio Luis Lula da Silva Alex Silva/Estadão Conteúdo

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a abrir inquérito para apurar supostos crimes de corrupção e tráfico de influência em autorização para a comercialização de cannabis medicinal em programas ligados ao Ministério da Saúde. Um dos investigados é o empresário e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A informação foi noticiada pela Folha de S. Paulo e confirmada pela Jovem Pan.

À Jovem Pan, o advogado do Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, disse confiar que o ministro André Mendonça “conduzirá o inquérito com integridade e seriedade”.

O advogado declarou que, ao longo do processo, o empresário terá oportunidade de demonstrar o que já é dito de que ele “não tem relação direta ou indireta com qualquer irregularidade”.

O advogado disse que a PF não encontrou nada que incriminasse Lulinha na investigação sobre os descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Marco Aurélio de Carvalho declarou que a instituição está “tentando em outro campo”.

“Se Fábio não fosse filho do presidente Lula, não teria inquérito instaurado”, afirmou Marco Aurélio de Carvalho.

A PF fez o pedido ao STF na sexta-feira (24). O processo foi atribuído, por sorteio, a Mendonça na quarta-feira (29). A corporação afirmou que Lulinha atuou no ramo de cannabis medicinal em parceria com a empresária Roberta Luchsinger e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, chamado de “Careca do INSS”.

Ao Supremo, a PF disse haver suspeita de que Lulinha teria intercedido, junto a Roberta, no setor a favor da empresa World Cannabis, ligada a Antunes. A corporação também mencionou contatos com servidores do governo federal, inclusive do gabinete de Lula.