Mendonça se manifesta antes de julgamento sobre Moraes e Vorcaro
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou à Presidência da Corte uma manifestação detalhada para esclarecer os atos praticados no âmbito da supervisão judicial da Operação Compliance Zero, que mirou o Banco Master. O documento atende a uma determinação do presidente do Supremo, Edson Fachin, que solicitou informações adicionais sobre diligências e despachos proferidos no caso.
No texto, Mendonça explica especificamente as circunstâncias de seu despacho que determinou que delegados da Polícia Federal prestassem informações atualizadas, no prazo de 72 horas, sobre o estágio das investigações e a identificação de integrantes de uma suposta rede de monitoramento e influência coordenada por Daniel Vorcaro.
De acordo com o relator, a perícia no celular de Vorcaro revelou diálogos e notas indicando que o investigado tinha conhecimento prévio de apurações sigilosas na 10ª Vara Federal do Distrito Federal e no Banco Central (BACEN), além de buscar intervenções junto a autoridades públicas. A gravidade dos fatos motivou desdobramentos operacionais, como a decretação da prisão preventiva de Vorcaro na 3ª fase da operação, a deflagração da 6ª fase e a quebra de sigilo telemático de 17 investigados.
Mendonça explicou que a intimação direta e presencial dos delegados subscritores do caso, realizada em seu gabinete no dia 24 de agosto, ocorreu por cautela. Relatórios da Polícia Federal identificaram que uma nota no celular de Vorcaro citava nominalmente o Diretor-Geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e o Procurador-Geral da República, Paulo Gustavo Gonet Branco.
O ministro alegou que a medida buscou “preservar a higidez dos autos e a eficiência das investigações —sem imputar qualquer suspeita a quem quer que seja”.
Moraes fala em ‘vingança política’
A manifestação de André Mendonça ocorre em meio a um embate interno na Corte. Em resposta ao mesmo despacho de Edson Fachin, o ministro Alexandre de Moraes encaminhou manifestação classificando a condução de Mendonça contra ele como “absolutamente inconstitucional e ilegal”.
Moraes sustentou que as suspeitas levantadas sobre sua conduta representam uma “tentativa de vingança” de aliados dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Segundo o ministro, a ofensiva contra o Supremo mudou de formato, mas mantém motivação político-eleitoral para atingir a imagem da Corte às vésperas das eleições.
Em sua defesa, Moraes apontou irregularidades procedimentais na atuação de Mendonça, afirmando que os atos investigativos foram determinados de ofício, sem pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou da Polícia Federal, e sem a devida autorização do Plenário do STF.
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