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Política

Caso Master: Polícia Federal prende ex-presidente do BRB  

A prisão ocorreu na manhã desta quinta-feira (16), durante a 4ª fase da Operação Compliance Zero

Rodrigo Viga e Victor Trovão

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB)
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Rafael Lavenère / BRB

A Polícia Federal prendeu o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa ao deflagrar, nesta quinta-feira (16), a 4ª fase da Operação Compliance Zero.

A PF informou ao ministro do STF André Mendonça que identificou o suposto fluxo de propina destinado a Paulo Henrique Costa na negociação de venda do Banco Master ao BRB, que teria sido viabilizado por meio da compra de imóveis. Com base nessas informações, o magistrado determinou a prisão preventiva de Costa.

O ex-presidente do BRB é investigado por sua atuação na tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, além da compra de carteiras fraudulentas oferecidas pelo banco de Daniel Vorcaro.

O executivo assumiu a presidência do BRB em 2019, indicado pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e liderou a tentativa de aquisição do Banco Master pela instituição. Ele foi afastado do cargo em novembro, após decisão judicial no âmbito da primeira fase da operação.

Em nota, a defesa do ex-governador disse que Ibanes “não acompanhava, não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência em operações realizadas pelas referidas instituições financeiras”.

Também afirmou que a conversa com Daniel Vorcaro corrobora o que foi apontado pela defesa. Ainda diz que, se ele tivesse participação direta nas operações, seria desnecessária a elaboração de nota técnica para ele mesmo.

‘Sustentação jurídica’

O advogado Daniel Monteiro também foi preso nesta quinta-feira. De acordo com as investigações, ele seria responsável por dar “sustentação jurídica” aos esquemas de Vorcaro.

A reportagem da Jovem Pan tenta contato com as defesas de Paulo Henrique Costa e Daniel Lopes Monteiro. O espaço segue aberto para manifestação.

A operação apura um esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

Ao todo, policiais federais cumprem dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e em São Paulo.

Em nota, o Governo do Distrito Federal afirmou que a prisão de Paulo Henrique Costa são de competência do Poder Judiciário, a quem cabe o julgamento.

“A nova gestão à frente do GDF reafirma seu compromisso com a transparência, o respeito às instituições e a legalidade, e seguirá colaborando com as instâncias competentes”, afirmou a governadora do DF Celina Leão.

BRB e Master

A aquisição de ativos considerados de alto risco ocorreu no contexto das negociações para que o BRB assumisse o controle do Banco Master. A operação foi barrada pelo Banco Central e passou a ser alvo de apuração pela Polícia Federal.

O processo tramita no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro André Mendonça. Além de Costa, ex-diretores da instituição também estão sendo investigados. Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março, por determinação de Mendonça. O banqueiro é investigado por crimes contra o sistema financeiro.

As liquidações do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, revelaram um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro.

O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público e tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e a Polícia Federal (PF).

“A decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN”, informou o BC em nota na época.

De forma extrajudicial, foram liquidados o Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A, e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhada da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN).

*Com informações do Estadão Conteúdo 

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