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Política

Wagner diz que Lula ligou para se solidarizar após operação da PF: ‘Fique firme’

A ação deflagrada nesta quinta-feira (18) faz parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master

Júlia Lara

Líder do governo Lula (PT), Jaques Wagner
Líder do governo Lula (PT), Jaques Wagner Lula Marques / Agência Brasil

O senador e líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), disse nesta quinta-feira (18) que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ligou para se solidarizar após operação da Polícia Federal (PF) cumprida nesta manhã na casa do senador. “Fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança’, foi o que o Lula me disse”. A declaração foi feita em entrevista à Band News.

A ação deflagrada faz parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master. Durante o cumprimento dos mandatos, foram encontrados US$ 49 mil em quarto de hotel ligado ao senador em Brasília.

O montante que foi apreendido em espécie ultrapassa o limite de qualquer quantia acima de US$ 20 mil estipulado para ser recolhido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator do caso na Suprema Corte.

Durante a entrevista, o senador disse que o dinheiro vem das vezes que comprou dólar ao viajar para o exterior e que recebeu aproximadamente US$ 70 mil de diárias desde 2019. “Estou completamente tranquilo quanto ao dinheiro, nunca recebi dinheiro do Banco Master”, declarou.

Wagner disse ainda que continua na liderança do governo no Senado, e que Lula não sinalizou que ele sairá do cargo. “A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem falei hoje, e acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela confiança que ele tem em mim, fez questão de me ligar e se solidarizar comigo”, explicou.

Ele também afirmou que não tem porque retirar sua candidatura à reeleição como senador. “Minha candidtura está absolutamente mantida, eu estou muito seguro de tudo que eu fiz e da minha vida pessoal”.

Por fim, o senador afirmou que, apesar de ter recebido a PF em sua casa e concordar que a ação vem de uma decisão da Justiça, há outros que recebem muitos milhões a mais que não foram submetidos à Operação. “Faz parte, apesar de ter gente com muito mais milhões recebidos que não tiveram essa busca e apreensão”, finalizou.

Compliance Zero

A Operação Compliance Zero é uma investigação da PF que busca esclarecer suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. O caso veio à tona no fim de 2025, após indícios de que a instituição teria comercializado produtos financeiros sem garantias compatíveis com o volume captado, oferecendo retornos considerados atípicos para atrair investidores. Na primeira etapa da operação, Vorcaro foi detido, e os investigadores apontaram que as perdas potenciais associadas ao esquema poderiam alcançar a casa dos R$ 12 bilhões.

Desde então, a apuração ganhou novas frentes e passou a examinar possíveis práticas de lavagem de dinheiro, ocultação de ativos, obtenção e uso indevido de informações sigilosas, além de suspeitas de pressão contra adversários e eventuais atos de corrupção. Outro foco das investigações envolve operações financeiras entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), incluindo aportes bilionários e a destinação de recursos que teriam beneficiado agentes públicos.

Com o avanço das diligências, a Polícia Federal ampliou o alcance da operação para pessoas próximas ao empresário e autoridades com suposta ligação aos fatos investigados. Entre os nomes citados estão o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que é alvo de apurações sobre possíveis pagamentos relacionados aos interesses do banco, e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), mencionado em investigações sobre a aplicação de recursos do Rioprevidência em fundos associados ao grupo financeiro.