Constantino afirma que indicação de Mendonça vai decepcionar apoiadores de Bolsonaro

Declaração foi dada pelo comentarista durante o programa 3 em 1 desta terça-feira, 6, que debateu a decisão do presidente

  • Por Jovem Pan
  • 06/07/2021 18h29 - Atualizado em 06/07/2021 19h47
Divulgação/AGUMendonça deverá ser indicado para o posto ocupado por Marco Aurélio Mello

Em reunião no Palácio da Alvorada, na manhã desta terça-feira, 6, o presidente Jair Bolsonaro disse a ministros que irá indicar o advogado-geral da União, André Mendonça, para o Supremo Tribunal Federal (STF) na vaga do ministro Marco Aurélio Mello, que se aposenta no dia 12 de julho. A informação foi inicialmente divulgada pelo jornal O Globo e confirmada à Jovem Pan por um integrante do governo que participou do encontro, que não estava na agenda oficial do chefe do Executivo federal. Apesar da sinalização, o nome ainda precisa ser oficializado pelo Palácio do Planalto. Além disso, o indicado precisa ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Durante sua participação no programa 3 em 1, da Jovem Pan, desta terça-feira, 6, o comentarista Rodrigo Constantino disse que a indicação deverá decepcionar a base de apoio de Bolsonaro, mas que Mendonça possui um “notório saber jurídico”. “Me parece um erro do presidente Bolsonaro que vai, sem sombra de dúvidas, decepcionar sua base de apoio”, afirmou Constantino, citando a proximidade de Mendonça com Dias Toffoli e com o “sistema”, e ressaltando que a população queria mudanças no Supremo. “Bolsonaro está cumprindo uma promessa de que [o indicado] teria que ser alguém ‘terrivelmente evangélico’ e o Mendonça é pastor, ligado a muitos evangélicos e lideranças dessa área. Ele tem um currículo e um notório saber jurídico, com doutorado e trabalhos contra a corrupção em Salamanca”, continuou o comentarista.

Em seguida, Constantino falou que a situação mostra como a falta de uma base compromete uma indicação de alguém mais alinhado ao seu pensamento. “Não adianta chegar à presidência sem a base, porque você não consegue emplacar os nomes que seriam de maior agrado dessa base conservadora que votou no presidente e não se identifica com esses nomes. São erros que ficam por 30 anos. É diferente de um tratado de governabilidade com o Centrão, e aceitar uma privatização com algum jabuti, etc. Isso é um erro que fica 30 anos. Mostra, na minha visão e de muitos, como os conservadores e a direita estão longe do poder, como ameaçou o próprio Dirceu: ‘Perder nas urnas não significa, necessariamente, abrir mão do poder’. E está claro hoje que o sistema ainda controla muito o poder no país”, afirmou Constantino.

Confira a íntegra da edição do programa 3 em 1 desta terça-feira, 6: