Constantino: CPMF tem vantagens, mas não deve ser criada para pagar auxílio emergencial

Discussão entre parlamentares governistas sobre criação de imposto temporário para ajudar no pagamento do auxílio emergencial foi debatida no programa ‘3 em 1’

  • Por Jovem Pan
  • 10/02/2021 18h33 - Atualizado em 10/02/2021 19h31
Edu Chaves/Estadão ConteúdoPaulo Guedes já afirmou que não é a favor da criação de novo imposto para pagar o auxílio emergencial

O Governo do presidente Jair Bolsonaro avalia criar um imposto temporário para custear um novo auxílio emergencial no país. A criação é uma das medidas discutidas entre parlamentares governistas para viabilizar o pagamento que foi admitido pelo presidente nos últimos dias. Um tributo nos moldes como o da CPMF não está descartado. Apesar da discussão entre parlamentares, o ministro da Economia, Paulo Guedes, já se posicionou contra a criação de um imposto, mesmo que temporário. Ele segue defendendo que o corte de gastos para compensar o investimento de dinheiro no auxílio emergencial é o caminho ideal para que o pagamento ocorra no país. A possibilidade de criação de um novo imposto temporário foi tema de debate entre os comentaristas do programa “3 em 1”, da Jovem Pan, nesta quarta-feira, 10.

Para Rodrigo Constantino, a aversão à criação de um novo imposto é comum entre os brasileiros por experiências anteriores. “Nada é tão permanente quanto uma medida temporária de governo. Esse papo de que vai ser uma coisa transitória ninguém acredita mais, nós já estamos calejados com isso. Cotas raciais, tudo isso começou como uma promessa de ser uma coisa temporária, para reparar algum tipo de injustiça, criando novas injustiças, no caso, mas é muito difícil acabar depois que é criado. Então, ninguém cai nessa”, afirmou. Ele disse acreditar que a criação do CPMF não é ruim, pois, mesmo com desvantagens, ela tem uma necessidade menor de burocracia arrecadatória. “Tem vantagens e desvantagens, mas não criar para esta finalidade, para pagar um auxílio temporário. Isso não faz nenhum sentido. A equipe do ministro Paulo Guedes está certíssima em reforçar que, se é necessário manter o auxílio, para menos gente e um auxílio menor, tem que tirar de algum outro lugar”, disse, reafirmando a ideia de que o caminho certo é reduzir gastos, não aumentar tributos.

Marc Sousa destacou que criar uma nova CPMF é uma solução que “morde o bolso do trabalhador” e disse que a equipe econômica está correta ao ir contra novos impostos, algo que foi promessa de campanha de Jair Bolsonaro. “É impressionante como Brasília não consegue pensar em reduzir a máquina pública e sempre busca a mesma solução: passar a conta para o povo pagar”, afirmou, lembrando que nenhum funcionário público com grandes pagamentos fez sacrifícios ou cortes no próprio salário para ajudar na crise atual do país. “Estão todos em casa com a garantia de que não podem ser demitidos”, pontuou. O comentarista lembrou que em 2022 o país terá novas eleições e sugeriu que o dinheiro do fundão eleitoral voltado para campanha política seja destinado ao pagamento do auxílio.

Para Diogo Schelp, é necessário entender a disputa dentro da dualidade entre criar um novo imposto e cortar os gastos, considerando que Guedes tem uma “obsessão” pela criação de uma nova CPMF. “É muito estranho que a equipe dele diga que está descartada a possibilidade da CPMF para bancar o auxílio ao mesmo tempo em que jornalistas relatam nos bastidores do Congresso uma movimentação com as digitais do governo para fazer exatamente isto”, afirmou. Ele aponta que a situação atual pode mostrar descompasso entre os desejos da equipe econômica e articuladores governistas ou ser a tradução de que essa é uma disputa que não tem futuro. O jornalista concordou com Constantino ao lembrar que a relutância dos brasileiros em relação ao imposto tem motivo. “Eles sabem que quando se cria um imposto, dificilmente o governo vai abandonar depois. Isso é uma coisa que os brasileiros já aprenderam por experiência própria”, afirmou, completou.

Confira o programa “3 em 1” desta quarta-feira, 10, na íntegra: