Constantino elogia ‘trabalho exemplar’ da Anvisa e questiona transparência em contratos da Coronavac

Durante sua participação no programa 3 em 1, comentarista também falou sobre a aquisição de vacinas da Pfizer, dizendo que o governo foi “cauteloso” ao analisar as condições impostas pela farmacêutica

  • Por Jovem Pan
  • 23/02/2021 18h05
ADRIANA TOFFETTI/A7 PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 17/10/2020 Vacina teve o registro definitivo autorizado pela Anvisa nesta terça-feira, 23

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro definitivo da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Pfizer em parceria com a BioNTech. A decisão foi anunciada pela agência reguladora na manhã desta terça-feira, 23. A aprovação foi informada pelo diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres. “Informo com grande satisfação que, após um período de análise de dezessete dias, a Gerência Geral de Medicamentos, da Segunda Diretoria, concedeu o primeiro registro de vacina contra a Covid 19, para uso amplo, nas Américas”, comemorou Barra Torres. O aval permanente da Anvisa é um sinal verde para que o imunizante seja distribuído e utilizado para toda a população prevista na bula — não apenas pelos grupos prioritários, permitidos no uso emergencial. Com isso, a vacina se junta à Coronavac e ao imunizante da Universidade de Oxford como vacinas autorizadas para uso no Brasil, sendo que as duas últimas ainda estão em caráter emergencial.

Ao falar sobre a autorização, o comentarista Rodrigo Constantino elogiou o “trabalho exemplar” da equipe da Anvisa, ressaltando que os profissionais da agência não cederam à pressões políticas externas.  A declaração foi dada durante a participação do comentarista no programa 3 em 1 desta terça. “Eu conversei com pessoas da própria empresa e a primeira coisa a constatar nessa boa notícia é o trabalho exemplar da própria Anvisa. Foram 17 dias de trabalho investigando de forma minuciosa milhares de páginas sem ceder às pressões políticas, o que torna o trabalho da Anvisa similar ao das agências do mesmo nível nos Estados Unidos ou na Europa“, disse Constantino. Ele também criticou o comportamento do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), dizendo que o mandatário virou “garoto propaganda” da Coronavac no Brasil. “É o primeiro registro oficial. Até aqui, o que temos são duas vacinas aprovadas em caráter emergencial. É bom sempre lembrar disso, porque o próprio governador de São Paulo, João Agripino Doria, virou um garoto propaganda da vacina até em outros estados e andou repetindo de uma forma que parece um pouco leviana e irresponsável que a Anvisa já atestou a segurança e a eficácia da Coronavac. Não é bem assim, né? Ela foi aprovada em caráter emergencial, passando na trave ali na eficácia mínima exigida”, afirmou o comentarista.

Em seguida, Constantino também questionou a transparência nos contratos da Coronavac com o governo de São Paulo, alegando que não há tanta transparência sobre os termos do contrato. “Outra coisa que também chama atenção quando a gente faz a comparação é o nível de transparência. Como que está o contrato da Coronavac, de uma empresa chinesa (Sinovac) já acusada de pagar propina no seu país, com o governo de São Paulo? Não há tanta transparência nos termos deste contrato. Seria interessante isso vir a público”, disse o comentarista. Além disso, ele também falou sobre a postura do governo sobre a aquisição de doses da vacina da Pfizer, dizendo que foi adotada uma “postura cautelosa” sobre os termos exigidos pela empresa. “O processo de compra teve ali um obstáculo nas cláusulas apresentadas pela empresa, que queria, acima de tudo e entre outras coisas, se resguardar de eventuais efeitos colaterais. Então o governo tomou uma postura cautelosa, de se resguardar e não assumir essa responsabilidade. […] Sobre o Brasil não ter comprado ou firmado o interesse na compra de 70 milhões de doses da Pfizer, agora a gente pode lamentar. Outros países aceitaram as condições draconianas da empresa e agora estão em vantage. Mas temos que torcer que cheguem logo as doses necessárias para a imunização da população brasileira”, disse Constantino, que encerrou: ” O Brasil não está tão atrás de outros países em relação à vacinação. Isso é uma narrativa política”.

Confira a íntegra da edição do 3 em 1 desta terça-feira, 23: