Constantino: ‘Gilmar Mendes não recuou, dobrou a aposta’

O ministro do Supremo associou a atuação dos militares na Saúde ao genocídio; ala militar do governo Bolsonaro não gostou das declarações

  • Por Jovem Pan
  • 14/07/2020 18h59 - Atualizado em 14/07/2020 19h04
Dida Sampaio/Estadão ConteúdoO ministro do Supremo, Gilmar Mendes

Após o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmar em nota divulgada nesta terça-feira (14) que “não atingiu a honra das Forças Armadas” ao associar o atuação de militares na Saúde a um “genocídio”, o comentarista Rodrigo Constantino, do programa 3 em 1, da Jovem Pan, avaliou que o ministro da Corte “não recuou, pelo contrário, talvez tenha até dobrado a aposta”.

Para Constantino, Gilmar “se comportou como um comentarista político dos mais demagogos”. “Isso é banalizar termos fortes. O genocídio não tem relação com os militares atuando na pandemia. Talvez o uso dos militares na saúde tenha a ver com algumas coisas que o ministro Gilmar Mendes ignora, como disciplina, capacidade técnica, e são bem treinados para atuar nesse momento em que começam a pipocar casos de Covidão”, disse.

Na avaliação da comentarista Thaís Oyama, o ministro do Supremo “perdeu a oportunidade de abreviar a crise com uma nota simples, contundente e mais clara. Os militares não gostaram da nota dele”, disse Oyama. Na segunda, o Ministério da Defesa e comandantes das Forças Armadas acionaram a Procuradoria Geral da República (PGR) contra as declarações.

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, falou que o episódio foi uma “injusta agressão ao Exército” e apoio a Defesa. Ainda nesta terça, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que se Gilmar tivesse “grandeza moral” se desculparia. Até o momento, o presidente Jair Bolsonaro não comentou as falas do ministro que, conforme destacado por Oyama, é relator da ação sobre o foro privilegiado de Flávio Bolsonaro. “O silêncio de Bolsonaro neste momento também foi influenciado pela situação jurídica da família”, avaliou.

Para Josias de Souza, Gilmar “reitera a crítica” ao divulgar a nota desta terça e “exagera na retórica” ao associar os militares na Saúde ao genocídio. “De repente, ele usa o fiasco da atuação do general Eduardo Pazuello para afirmar que o Exército se vincula a um genocídio. Isso é muito forte. Diante da decisão de acionar a PGR, ele divulga nota dizendo que respeita as Forças Armadas e reitera a crítica.