Constantino: Leitos de UTI sempre faltaram no país, mas narrativa de governadores joga culpa em Bolsonaro

Carta assinada por governadores acusando Bolsonaro de enfraquecer cooperação entre governo federal e estados foi tema de debate entre comentaristas do programa ‘3 em 1’

  • Por Jovem Pan
  • 01/03/2021 18h34 - Atualizado em 01/03/2021 18h38
MATEUS BONOMI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDOPresidente publicou dados de repasses do governo federal aos estados nas redes sociais

Uma publicação do presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais sobre os repasses da União a estados durante a pandemia da Covid-19 fez com que 19 governadores divulgassem uma nota conjunta afirmando que o governo “prioriza a criação de confrontos, construção de imagens maniqueístas e enfraquecimento da cooperação federativa essencial aos interesses da população em meio a uma pandemia de proporção talvez inédita na história”. Os governadores alegam que a maior parte dos recursos divulgados pelo presidente são repasses obrigatórios, previstos na Constituição e não têm relação com gestos para conter os problemas da pandemia. A carta, que pede a adoção de medidas mais restritivas a nível nacional contra o avanço da doença, foi assinada pelos governadores Rui Costa (PT-BA), Camilo Santana (PT-CE), Flávio Dino (PCdoB-MA), Paulo Câmara (PSB-PE), João Doria (PSDB-SP), Fátima Bezerra (PT-RN), Renan Filho (MDB-AL), Waldez Góes (PDT-AP), Renato Casagrande (PSB-ES), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Mauro Mendes (DEM-MT), Helder Barbalho (MDB-PA), João Azevêdo (Cidadania-PB), Wellington Dia (PT-PI), Cláudio Castro (PSC-RJ), Eduardo Leite (PSDB-RS), Ratinho Junior (PSD-PR), Belivaldo Chagas (PSD-CE) e Mauro Carlesse (DEM-TO). A mais nova polêmica envolvendo governadores dos estados e a presidência do país foi tema de debate entre comentaristas do programa “3 em 1”, da Jovem Pan, nesta segunda-feira.

Rodrigo Constantino afirma que o governo de Jair Bolsonaro levanta uma bandeira de “mais Brasil e menos Brasília” e lembrou que no ano de 2019 R$ 200 bilhões de descentralização foram aprovados com dinheiro distribuído a estados e municípios. Ele diz que a segunda onda da doença parece mais forte e o momento atual mostra um jogo de responsabilidades sendo empurradas de um lado para o outro. “O presidente misturou alguns valores, mas não está de todo errado ao falar que houve muito repasse e questionar o destino”, afirmou. Para ele, Bolsonaro está na defensiva porque é frequentemente atacado por boa parte dos governadores e da imprensa e um exemplo de político que direciona a crise de forma séria é Romeu Zema, que não assinou a carta. “O Ronaldo Caiado já se mostrou oportunista ou traidor no passado”, recordou. Ele lembrou, ainda, que a falta de leitos de UTI no país não é uma coisa nova. “De repente, a narrativa vai impondo essa questão dos leitos de UTI para tentar responsabilizar de alguma maneira o presidente, o governo federal. Lembrando que o Brasil não está tão mal na foto em termos relativos”, afirmou.

Diogo Schelp acredita que o que Bolsonaro faz no momento é usar “uma meia verdade para contar uma grande mentira” e lembra que a briga é originada de um pedido por parte dos estados para que leitos contra Covid-19 financiados pelo governo sejam reabertos. “Vale lembrar que a diária de um leito de UTI para a pandemia custa cerca de R$ 1.600, então é um dinheiro considerável. Os governadores reclamam que Bolsonaro está buscando um confronto com eles, e é verdade. A verdade é que esse confronto beneficia Bolsonaro. Como todo governante populista, ele precisa de bodes expiatórios para ocultar os próprios erros ou a própria inépcia” afirmou. Ele lembrou que já tinha avisado que o presidente perderia um bode expiatório com a saída de Maia da presidência da Câmara e disse que agora “sobrou para os governadores”, que já cometeram muitos erros durante a gestão da pandemia, mas tiveram esses erros amplificados pela ineficiência do governo federal. “Para Bolsonaro, os governadores são ótimos bodes expiatórios porque cabe a eles tomar essas medidas desesperadas e impopulares para tentar conter o aumento das pessoas infectadas, e óbvio, caberá a eles responder pelo ônus econômico dessas medidas, já que Bolsonaro lavou as mãos quanto a isso”, pontuou.

Marc de Sousa afirmou que todos os dados divulgados pelo governo federal são corretos e estão disponíveis em fontes abertas, mas disse que os governadores têm razão em questionar a forma com a qual a interpretação dos valores foi feita. “Também é verdade que os governadores estão bravos porque não interessa a ninguém da classe política que esses números sejam claros. É bom que eles estejam confusos, justamente porque eles servem às narrativas políticas de um lado e do outro”, afirmou. Para ele, o clima que gerou a confecção da carta não é gerado apenas pela Covid-19, mas também pela guerra do ICMS, já que o brasileiro tem mostrado mais discernimento sobre onde cobrar providências sobre os impostos que incidem nas compras feitas. O comentarista garante que os estados brasileiros receberam dinheiro acima da média e traz dados do tesouro nacional e do banco central que mostram os estados e municípios fechando 2020 com quase o dobro do dinheiro em caixa em relação a 2019. “De acordo com essas duas instituições, o saldo de estados e municípios passou de R$ 42 bi para R$ 82 bi no fim do ano passado. Trata-se da maior disponibilidade de caixa para prefeitos e governadores nos últimos 19 anos. Isso é dado oficial”, disse, pontuando que este é o momento de falar sobre como vacinas vão ser adquiridas e de se unir contra a Covid-19.

Confira o programa “3 em 1” desta segunda-feira, 1, na íntegra: