Constantino: Possível recriação de ministérios para negociar com centrão mostra que ‘Brasil tem dono’

Possibilidade de recriar três pastas no caso de eleição de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco foi levantada por Jair Bolsonaro e debatida entre comentaristas do ‘3 em 1’ nesta sexta

  • Por Jovem Pan
  • 29/01/2021 17h54 - Atualizado em 29/01/2021 18h19
WALLACE MARTINS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 17/12/2020Bolsonaro considera recriar três ministérios

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, 29, que considera a recriação de três ministérios que hoje são secretarias: a pasta da Cultura, do Esporte e da Pesca. As recriações devem ocorrer se os candidatos apoiados pelo Governo Federal para a presidência da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP) e Rodrigo Pacheco (DEM) forem eleitos. Antevendo críticas, Bolsonaro afirmou que a demanda do país é grande, logo, justa. O presidente também afirmou que se tivesse tomado posse hoje e conhecesse melhor o trabalho dos secretários Marcelo Magalhães, Mário Frias e Jorge Seif teria mantido o status de ministério para os órgãos comandados por eles. Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro prometeu que seu governo teria apenas 15 pastas, mas hoje tem 23. A possível criação de novos ministérios foi tema de debate entre os comentaristas do programa “3 em 1”, da Jovem Pan, nesta sexta.

Para Diogo Schelp, a ideia de recriar os ministérios não condiz com o discurso atual do governo de preocupação com a situação fiscal. “Como deixou claro o presidente, as pastas não seriam recriadas por necessidade técnica, mas como moeda para segurar alianças no Congresso”, afirma. Ele lembrou que esse não é o único aceno do presidente para agradar o centrão, já que ele liberou R$ 3 bilhões em recursos extra orçamentários para obras a serem definidas aos parlamentares, que são mais difíceis de controlar com transparência. “Comprar o apoio do centrão está caro e quem paga a fatura é o contribuinte brasileiro”, pontua. Para o jornalista, as próximas semanas serão marcadas de momentos decisivos para aprovar ou não as reformas no Brasil.

Rodrigo Constantino trouxe como palavra-chave para o debate a “governabilidade” necessária na conversa com o centrão. “Cá entre nós, sendo bem direto e transparente, o Brasil tem dono”, afirmou, se referindo aos políticos que negociam com Bolsonaro. Ele concordou com Diogo sobre o apoio do centrão custar caro, mas lembrou que há poucas alternativas no país além de fazer isso. “Todos cobravam do presidente mais articulação com o congresso, o que significa você ceder, você negociar, você entregar nacos do governo e da agenda em troca desse apoio”, recorda. “Eu não gosto da ideia de recriar ministérios, mas eu também não vejo como um bicho de sete cabeças. É uma coisa mais simbólica. No frigir dos ovos, o que importa é o gasto público, é o custo da estrutura. Se vai ter o status ou não de ministério ou secretário da Cultura, cá entre nós, isso é o de menos”, pontuou. Ele disse, ainda, que fazer acordos com o centrão pode ser algo duvidoso, mas não vê saída para isso, já que outra alternativa é dialogar com aqueles que apoiam futuros opositores do governo de Bolsonaro, como o governador de São Paulo, João Doria. Marc de Sousa afirmou que é importante lembrar que ter apenas 15 pastas foi uma promessa de campanha de Bolsonaro, mas disse que o histórico do Brasil com ministérios precisa ser lembrado. “Ainda são 13 ministérios a menos do que tinha a senhora Dilma Rousseff, que no seu segundo mandato tinha 39 ministérios, que foi o recorde histórico do Brasil. Isso custou ao nosso país nos anos de governos petistas R$ 58 bilhões por ano”, estipulou. Ele recorda que a maior preocupação não é com ter ministérios a mais ou a menos, mas sim com os gastos aplicados em cada um deles. “O presidente se afasta do compromisso de reduzir o tamanho do estado. Essa é minha preocupação”, analisa. Para ele, a maneira de se fazer política de Bolsonaro mudou.

Confira o programa 3 em 1 desta sexta-feira, 29, na íntegra: