Constantino: ‘Quando sai de cima do muro, PSDB cai sempre para o lado da esquerda’

Neutralidade do partido tucano e polêmicas em torno da eleição para Câmara dos Deputados foram tema de debate no programa ‘3 em 1’ desta segunda-feira, 1º

  • Por Jovem Pan
  • 01/02/2021 18h12
Deyvid Edson/Estadão ConteúdoPara Constantino, briga entre Doria e Bolsonaro por 2022 faz partido pender para a esquerda

A um dia das eleições, o DEM, partido de Rodrigo Maia, decidiu neste domingo, 1º, não apoiar Baleia Rossi, candidato do atual presidente da Câmara, para o cargo. O PSDB adotou a postura neutra, mas teria recuado da decisão nesta segunda-feira, poucas horas antes da votação começar. Segundo o líder do PT na Câmara, deputado Enio Verri, a “traição do DEM” fez com que Maia considerasse fazer a leitura de um dos processos de impeachment contra Bolsonaro no seu último dia no cargo. Apesar disso, pessoas próximas ao atual presidente da casa não veem possibilidade disso acontecer, já que a abertura do impeachment causaria um profundo impacto no mercado brasileiro, já abalado pela pandemia da Covid-19. Com o ocorrido, Maia teria decidido deixar o DEM logo após a eleição. A polêmicas em torno das eleições para presidência da Câmara foram tema de debate entre os comentaristas do programa “3 em 1”, da Jovem Pan, nesta segunda-feira, 1.

Para Rodrigo Constantino, Maia é o grande perdedor das eleições e a possibilidade de abrir um impeachment contra Jair Bolsonaro no fim do mandato é absurda “até para alguém como ele”, que jogou contra o governo ao longo dos dois anos de poder. O comentarista acredita que a possível saída do DEM abre margem para que Maia entre em um partido como o PSDB. “Sobre o próprio PSDB nessa história, aconteceu aquilo que se esperava do partido, né? Oscila sempre em cima do muro, simulando alguma neutralidade, mas cai mesmo no colo do PT, cai sempre, quando desce do muro, para o lado esquerdo”, afirmou. Para ele, a disputa de “vida ou morte” imposta por João Doria contra Jair Bolsonaro de olho em 2022 faz com que os tucanos adotem uma narrativa “bizarra” contra o presidente e a aliança de Bolsonaro com o Centrão não é agradável, mas faz parte do jogo. “Isso aí não é mensalão, não é petrolão, não é crime, mas é o velho toma lá dá cá, de uma política de coalizão que tem o congresso fragmentado”, pontuou.

Marc Sousa concordou com Constantino sobre os sinais de “esquerdização” do PSDB e afirmou que a forma como Maia deixa o cargo é lamentável e sinaliza uma “busca por manchetes” no fim do segundo tempo. “Ele ainda tenta se prender na última chance de holofote que o resta, que é flertar com o golpismo. Pode ser o motivo que for, mas aceitar um pedido de impeachment para se vingar de uma derrota é golpismo, é romper com a democracia, é não saber jogar o jogo democrático”, afirmou. Ele afirma que se Maia deixou de apurar os pedidos de impeachment para esperar o momento propício, cometeu crime de prevaricação e deve ser julgado e lembra que a união com o Centrão não fazia parte dos planos de Bolsonaro, mas foi um dos caminhos necessários para aprovar as reformas e ter “uma chance de fazer dois anos de mandatos melhores do que os primeiros”.

Diogo Schelp lembrou da importância que o presidente da Câmara tem em aprovar e não aprovar projetos e disse que Maia não é o principal responsável por travar pautas do governo. Segundo ele, a vitória de Arthur Lira barra de imediato a possibilidade de impeachment “O Centrão é ávido por mamar nas tetas do estado, não vai se contentar com o que Bolsonaro já entregou, então esse foi o primeiro preço para a sobrevivência política de Bolsonaro, já a governabilidade, vai ter novos preços, vão vir novas faturas para essa governabilidade”, afirmou. Ele lembrou que dentro das pautas há uma incongruência entre a agenda de desestatização do governo e o Centrão, que é o bloco do governo que mais abraça cargos de liderança em empresas públicas e disse, ainda, que o maior erro de Maia foi acreditar que iria conseguir burlar a Constituição e conseguir se reeleger.

Confira o programa “3 em 1” desta segunda-feira, 1, na íntegra: