‘Gilmar Mendes é uma figura patética’, diz Constantino após falas do ministro contra Lava Jato

Entrevista na qual ministro afirma que Lava Jato apoiou eleição de Bolsonaro e ‘perturbou Brasil’ na gestão de Temer foi tema de debate no ‘3 em 1’

  • Por Jovem Pan
  • 16/02/2021 18h33
Rosinei Coutinho/SCO/STF Gilmar Mendes, ministro do STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou em entrevista à BBC News Brasil que a Operação Lava Jato apoiou a eleição de Jair Bolsonaro, tentou interferir no resultado eleitoral e agiu para “perturbar o país” durante a gestão de Michel Temer. A poucos dias de liberar para julgamento a ação em que o ex-presidente Lula pede a anulação da condenação no caso do Triplex do Guarujá, o ministro do STF também afirmou que o ex-ministro da Justiça e ex-juiz Sergio Moro fez “tudo o que não condiz com o que se espera da relação entre juiz e Ministério Público em uma investigação criminal”. Questionado sobre se uma eventual anulação da condenação de Lula não poderia causar um “efeito cascata” e beneficiar outros réus da Lava Jato, Mendes disse que cada caso será analisado individualmente. Ele sinalizou, porém, que as condenações baseadas na colaboração informal entre procuradores e autoridades estrangeiras devem ser reavaliadas. As falas do ministro foram tema de debate entre os comentaristas do programa “3 em 1”, da Jovem Pan, nesta terça-feira, 16.

Rodrigo Constantino considera a entrevista de Gilmar Mendes como errada e absurda “do começo ao fim”. “Gilmar Mendes é uma figura patética e olha que talvez nem seja o pior. O que mostra a configuração do Supremo que temos hoje e por que gera tanta revolta popular”, pontuou. Para ele, os membros do STF fazem um excesso de entrevistas e comentários políticos à imprensa e os ataques “levianos” à Lava Jato e à figura de Moro por parte de Mendes são feitos antes mesmo dele se vincular ao governo de Bolsonaro. “A única coisa que ele fala que tangencia a verdade ali é que o lavajatismo contribuiu com o bolsonarismo, mas isso é por conta da bandeira ética. Culpa dos outros que se mostraram totalmente corruptos”, afirmou. O comentarista afirma que o que mais o incomodou na fala do ministro foi o momento no qual ele se classificou como um liberal. “Liberar para o Gilmar Mendes é só se for soltar bandidos”, pontuou. Para ele, só o impeachment de algum dos representantes da maior corte do país pode “acalmar” a população.

Para Marc Sousa, Gilmar Mendes foi diretamente responsável pela soltura de Lula e só passou a falar mal da Operação Lava Jato quando ela chegou aos tucanos. “Gilmar foi indicado ao cargo do Supremo Tribunal Federal pelos tucanos e usa o cargo dele para fazer oposição sistemática ao governo, o que não é correto”, afirmou. Ele acredita que o ministro não obedece à constituição e faz política com seus posicionamentos. “Cabe ao Senado fazer o acompanhamento do STF, podendo até, quem sabe, abrir uma CPI e apreciando os pedidos de impeachment que não se comportam direito, mas nenhum senador se pronuncia sobre isso”, disse. O jornalista questionou o que impede os senadores de abrir tais investigações e afirmou que os juízes “lacram” todos os dias, garantindo que os futuros votos de Gilmar Mendes em relação à Lava Jato já estão condenados.

Diogo Schelp afirma que a incapacidade do ministro de “esconder o ódio” por Sergio Moro e pelos procuradores da Lava Jato é impressionante. “Gilmar Mendes acusa eles de parcialidade, mas não há nada mais parcial do que os comentários que ele faz a respeito de um tema que será objeto de um julgamento do qual ele vai participar”, afirmou. Ele lembrou que esse ódio já foi manifestado em outros momentos, como no voto a favor da liberação das mensagens da Operação Spoofing para a defesa do ex-presidente. “É interessante que essa postura do ministro coincide com o momento em que a sua família é investigada pela venda de universidade ao estado do Mato Grosso. Então é de se pensar se uma coisa tem a ver com a outra”, refletiu.

Confira o programa “3 em 1” desta terça-feira, 16, na íntegra: