‘Medidas têm custo muito pesado e não estão surtindo efeitos desejados’, diz Constantino sobre endurecimento de restrições

Declaração foi feita pelo comentarista durante sua participação no programa 3 em 1 desta sexta-feira, 26

  • Por Jovem Pan
  • 26/02/2021 18h35 - Atualizado em 26/02/2021 19h57
Roberto Casimiro/Estadão ConteúdoLeitos de UTI estão sendo ocupados em diversas cidades ao redor do país

Vivendo o auge da pandemia de Covid-19 até o momento, o Brasil começa a ver os sistemas de saúde de suas capitais entrar em colapso. Segundo relatório da Fiocruz publicado nesta sexta-feira, 26, 17 capitais estão com a ocupação de leitos de UTI acima dos 80%. A alta vem sendo registrada nas últimas semanas e fez com que autoridades de diversos Estados e municípios adotassem medidas restritivas. São Paulo, por exemplo, anunciou restrição de circulação, proibindo que atividades não essenciais aconteçam entre as 23h e as 5h. Além disso, diversas regiões do Estado regrediram de fase, indo para a fase laranja do plano de flexibilização, onde as restrições são mais duras. Outros Estados como Bahia e Paraná adotaram medidas semelhantes para conter o avanço da doença.

Durante sua participação no programa 3 em 1, o comentarista Rodrigo Constantino comentou sobre a adoção de medidas restritivas tão severas, dizendo que elas possuem um “alto custo” e que “atendem ao desejo de uma parte da população que busca segurança”. “Essas medidas têm um custo muito pesado em termos de liberdade, de economia, e não estão surtindo os efeitos desejados. Isso vai minando até a confiança da população nisso. Tem uma ala da população que quer autoridades fazendo alguma coisa para se sentirem mais seguras. É uma falsa sensação de segurança. ‘Estão fazendo alguma coisa por mim. Fecharam os bares e restaurantes de 22h às 5h’. Não vai mudar nada, não é esse o problema. Não é isso que está fazendo com que tenha a segunda onda”, disse o comentarista, que continuou: “Toque de recolher tem um custo altíssimo em termos econômicos, altíssimo em termos de liberdades individuais, e é perigoso o caminho que deposita nas autoridades o controle minucioso das nossas vidas com base, supostamente da ciência, em nome do interesse coletivo, da saúde coletiva”.

Ao comentar sobre o crescimento recente da doença, Diogo Schelp disse que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) “segue dando mau exemplo” de como seguir as medindo restritivas e evitar aglomerações. “O presidente segue dando mau exemplo, promovendo aglomerações sempre que possível. Ele não é o culpado por todo o comportamento de risco da população. A população tem sua própria responsabilidade ao não seguir certos parâmetros e cuidados sanitários. Mas quando ele age assim, fala essas coisas e promove desinformação, ele acaba endossando e incentivando as pessoas a ignorarem as medidas. Não dá para entender qual é o objetivo dele com isso”, disse Schelp, que também mencionou a enquete citada por Bolsonaro durante uma live, falando que o presidente estaria “promovendo desinformação”. “Ele recebeu uma informação e cita, dizendo que é um estudo de uma universidade, quando, na verdade, é uma enquete online em que qualquer um podia entrar e dar uma resposta mesmo não sendo pai de uma criança”, continuou o comentarista.

Por fim, ao falar sobre as restrições em si, Schelp citou um estudo científico feito pela Science que analisou medidas restritivas adotadas em 41 países. Segundo o comentarista, a pesquisa mostrou que determinadas medidas, analisadas isoladamente, tiveram mais efeito sobre o avanço do novo coronavírus do que outras que estão sendo adotadas. “A combinação de todas as medidas de isolamento social, segundo esse estudo da Science, reduziu em 77% as taxas de transmissão do novo coronavírus. Mas é interessante saber como funcionam as medidas isoladamente. Esse estudo mostra que a medida que teve mais eficácia foi a de restringir encontros presenciais a no máximo 10 pessoas. Isso reduziu a taxa de transmissão do vírus em 42% em média. Países que restringiram os encontros a no máximo 100 pessoas reduziram a taxa de transmissão do coronavírus em 34%”, disse Schelp, que continuou, comentando a redução causada pelo fechamento de bares e defendendo que estudos do mesmo nível poderiam ser utilizados para elaboração de políticas públicas. “O fechamento de bares e restaurantes reduziu em 18% a taxa de transmissão. Reduziu, mas reduziu menos que outras medidas. Foi mais efetivo reduzir e limitar encontros presenciais do que fechar bares e restaurantes. É um dado interessante que podia ser usado para tomar políticas públicas com base em ciência.”

Confira a íntegra da edição do 3 em 1 desta sexta-feira, 26: