Oyama: Lavajatistas veem Huck como ‘playboy’ e não aprovam possível união dele com Moro

Fontes ligadas ao ministro afirmaram que movimentação de Moro para discutir possíveis alianças para eleição de 2022 foi feita após pressão de amigos

  • Por Jovem Pan
  • 09/11/2020 18h32 - Atualizado em 09/11/2020 19h14
Edu Andrade/Estadão ConteúdoMoro foi incentivado por amigos a se movimentar após apagamento nas redes

O ex-ministro Sergio Moro começou a fazer articulações políticas pensando no ano de 2022. Em entrevista ao jornal O Globo, Moro afirmou que o povo brasileiro tem um perfil mais moderado e que o ciclo de ódio entre o governo atual e o Partido dos Trabalhadores (PT) deve acabar. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, ele convidou o apresentador Luciano Huck para uma reunião no apartamento dele em Curitiba, na qual os dois teriam conversado por quase três horas sobre a intenção de união em torno de uma espécie de “terceira via” na disputa pela presidência. As movimentações de Moro foram tema de debate entre os comentaristas do programa 3 em 1, da Jovem Pan, nesta segunda-feira, 9.

Segundo a jornalista Thaís Oyama, que conversou com fontes próximas a Sergio Moro, a movimentação do ex-ministro em uma reunião política foi feita após apelos de amigos preocupados com o apagamento da imagem dele, principalmente nas redes sociais. Ela lembrou que após a demissão do governo Bolsonaro, entre os meses de abril e junho, Moro ganhou mais de 300 mil seguidores no Twitter, volume que foi drasticamente reduzido com o passar do tempo. No Instagram, ele chegou a perder seguidores. O almoço com Luciano Huck, porém, pode não ter sido tão positivo na visão de apoiadores.

“Essa discussão da união com o Huck por enquanto não pegou bem ns redes sociais, não empolgou. Entre lavajatistas, por exemplo, essa reação foi de frieza. Por quê? Porque eles não gostaram da possibilidade de o Sergio Moro vir a ser vice, como foi cogitado, do Luciano Huck”, afirmou. “Segundo esse amigo do Sergio Moro me disse, o Luciano Huck é visto por muitos lavajatistas defensores da bandeira anticorrupção, como um playboy. Nas palavras desse amigo do Sergio Moro, ‘um playboy patrocinado pela globo’”, pontuou a comentarista. Para ela, ainda que Moro tenha decidido participar de uma campanha eleitoral no ano de 2022, dificilmente ele vai topar concorrer como vice-presidente.

Para Josias de Souza, a movimentação de Moro deixa claro que todos acreditam que as eleições de 2022 devem ser arduamente disputadas entre Bolsonaro e algum candidato indicado pelo ex-presidente Lula. Ele afirma que o caminho a ser seguido pelo ex-juiz caso ele decida concorrer vai ser longo. “Ele teria uma dificuldade muito grande de viabilizar o governo dele porque ele hoje tenta colocar em pé novamente bandeiras como a prisão na segunda instancia, o fim do foro privilegiado, que são bandeiras que o Bolsonaro abandonou por conta das encrencas familiares e porque se vinculou agora ao centrão”, afirmou. Josias lembrou que o centrão pode ser um dos grandes problemas de Moro para viabilizar um possível governo, já que, enquanto juiz, ele foi responsável por muitas das investigações que incriminaram políticos desse setor.

Confira o programa 3 em 1 desta segunda-feira, 9, na íntegra: