Cristina Palmaka, CEO da SAP, diz como equiparou salário entre homens e mulheres

Em entrevista ao programa Conselho de CEO, Cristina conta sobre seus projetos de inclusão feminina e saúde mental no ambiente corporativo

  • Por Jovem Pan
  • 29/09/2020 17h25 - Atualizado em 29/09/2020 17h27
ReproduçãoCristina Palmaka, CEO da SAP na América Latina e Caribe

A entrevistada desta terça-feira, 29, do programa Conselho de CEO, apresentado pelo jornalista e comentarista de negócios do Jornal da Manhã, Carlos Sambrana, é a presidente da SAP na América Latina e Caribe, Cristina Palmaka. Defensora da diversidade nas empresas, ela contou um pouco sobre sua trajetória como mulher no meio corporativo. “Não sei se tive que trabalhar mais ou menos do que meus amigos homens. Eu trabalho há 35 anos e era muito diferente antes, hoje a gente tem muito mais mulheres e se fala muito mais desse tema. Eu e meus irmãos sempre tivemos o mesmo tratamento em casa, quando fui para o mercado de trabalho pensei que era assim, que eu ia ter que trabalhar muito e que ia receber o que tinha direito no que estava fazendo, mas nessa jornada eu participei de reuniões em que eu era a única mulher. Então, meu objetivo, por volta dos anos 2000, quando começou a cair a ficha de que tinha poucas mulheres que eu pudesse olhar como referência, foi começar a olhar esse tema e trazer a discussão para as empresas que eu estava”, comentou.

Segundo ela, a diversidade faz parte do DNA da SAP. “A gente entende que a diversidade vai além do gênero. Olhamos a interseccionalidade dos temas. Ser mulher, ser jovem, ser negra, ser gay. Acho que ver isso me tornou uma pessoa melhor. Em tecnologia, a diversidade é fundamental, porque não tem um único caminho”, diz. Com esse olhar, a empresa deu um passo importante em 2018 com a equiparação salarial entre homens e mulheres. “Antes era diferente, a reformulação teve impacto global de 1% no valor da folha de pagamento, é um impacto razoável. Parece uma coisa tão pequena, mas significa que daquela pessoa essas diferenças poderiam ser maiores. No mundo corporativo isso é muito comum. Em 2018, passamos por esse momento e virou uma política normal. Eu sempre fiz um levantamento, trimestralmente, se as pessoas da mesma posição estavam ganhando a mesma coisa. São fatos reais, sair do discurso”, completou. Depois das implementações, a SAP tem hoje 35% de mulheres em seu quadro de funcionários e 29% em cargos de liderança.

Também engajada na questão da saúde mental, Cristina contou sobre seu projeto dentro da empresa. “Há um ou dois anos, a SAP tomou a decisão de acatar o tema da saúde mental, que era a grande tendência de doença no mundo corporativo. É um tema bastante controverso, as pessoas vão no médico, dermatologista, e tá tudo certo, todo mundo diz ‘Vou no médico hoje’, mas quando fazem terapia é um bicho de sete cabeças. Elas ficam com receio de alguém falar ‘Essa pessoa tem problemas’, mas é uma prática normal. É importante e faz parte de todos. Começamos o projeto com os gestores, para que eles estivessem preparados. Quebramos muitos tabus, trouxemos especialistas, usamos a tecnologia a nosso favor, trouxemos um grande aprendizado. Aí veio a pandemia, e estávamos melhor preparados para dar andamento nessa questão. Daí surgiram várias técnicas que têm nos ajudado”, disse.

Como equilibrar a vida pessoal com a vida profissional?

Corredora nas horas vagas, Cristina explicou como consegue equilibrar a vida profissional com a vida pessoal e deu dicas de como manter a saúde mental no ambiente de trabalho. “Tem que ter uma disciplina muito grande. Você tem que ser organizado e saber priorizar aquilo que você quer fazer e aquilo que você não vai fazer. Falar não é muito difícil, mas algumas coisas você precisa deixar para trás. Eu falo que o sucesso do meu equilibro foi trabalhar com pessoas maravilhosas e montar times muito fortes, porque eles garantem que a operação continue. Minha única prioridade é contratar bem e desenvolver quem trabalha comigo, mas a organização é fundamental. Tenho que ter a combinação da minha família e do esporte para o trabalho fluir”, finalizou.

Assista à entrevista com Cristina Palmaka: